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Livros e DVD - apocalipse 21

Parte IX

Real ou Irreal?

“Na cidade onde Nasrudin, o Mestre, vivia,
comentavam-se muitas estórias e lendas sobre
ele. Uma das mais antigas relatava que os
antepassados de Nasrudin tinham chegado há
mais de 100.000 anos, vindos de uma grande e
longínqua estrela chamada Kanopp.
Um dos seus jovens discípulos, após ouvir esta
estória ficou estarrecido e confuso e
apresentando-se perante ele lhe perguntou:
— Diga-me, Mestre: é verdade que seus antepassados
vieram de uma estrela tão longínqua? Porque, se for
assim, não lhe vejo muito preocupado com
o que possa estar acontecendo lá com seus parentes.
— Veja só — respondeu Nasrudin —, se nada nessa
lenda é verdadeiro, não vejo por que deveria
preocupar-me, e se, pelo contrário, ela é
verdadeira, então são eles que devem estar
preocupados por ter-me deixado aqui!

Do livro “Cuentos Enseñanza del Maestro Sufi
Nasrudin’ reunidos por H. D. Halka
na “Colección Cuentos Sufis” da
Editora “Dervish International”

42 - Voltando da Dimensão das Memórias Cósmicas. Reordenamento e Harmonização. Revelações metafísicas. Toda verdade e semiverdade. Como evitar ser devorado pelo impiedoso Cronos. Novas surpresas!

“Ele não ficou nem um pouco impressionado.
— Você deve entender de uma vez por todas que essas são coisas normais na vida de um feiticeiro. Você não está ficando louco; está simplesmente ouvindo a voz do emissário do sonhar [...]
— O que é o emissário do sonho?
— Energia alienígena consciente. Energia alienígena que procura ajudar os sonhadores [...]”
Diálogo entre Don Juan e Carlos Castañeda

Quando Anthor “desligou” o Canalizador, a esfera multidimensional na qual flutuávamos pareceu “sumir” novamente no ar transformada em milhares de pontos luminosos. Enquanto os milhares de pontos de luz voltavam a tomar sua forma original, percebi, maravilhado, que nossos corpos não tinham mudado de posição naquela espaçosa “sala” octoriana. Desconcertado com o longo sofrimento da nossa espécie e perplexo com todas aquelas visões e revelações, lembro que chorei muito e que fazia muitas perguntas aos meus guias. Eles não responderam, aguardando com sabedoria meu centramento normal. Aos poucos consegui me acalmar. Fiquei em silêncio durante muito tempo. Não era mais o mesmo, ou melhor, nunca mais poderia ser como antes.

Anthor e Tanaim reordenaram minhas energias e alinharam todos os meus centros e chakras até que, aos poucos, voltei à “normalidade”.
Então, percebi que Octor estava acelerando seu processo de transformação e comecei a sentir como se todas as coisas ao meu redor ficassem mais luminosas e vibrantes.
Contemplei Anthor e admirei as harmoniosas “alterações” que estavam acontecendo em sua estrutura psico-bio-energética.
O octoriano interrompeu nosso longo silêncio:
— Vejo que já está recuperado.
— Sim — respondi — foi uma experiência muito forte...já estou bem.”
— Sei o que quer dizer. Relaxe, apenas relaxe... —Tanaim me olhava com ternura. Anthor voltou a falar:
— Penso, meu querido Tanaim, que você deve dizer agora as razões pelas quais ele foi escolhido para esta experiência interdimensional. Dessa maneira, as minhas talvez possam ser mais facilmente compreendidas. Não acha?
Essa declaração me provocou uma intensa curiosidade. Embora tivesse consciência que tudo quanto me tinha sido revelado ali poderia ter dispensado nossa “viagem interdimensional”, intuía que a razão pela qual meu guia do futuro tinha me levado até Octor e me apresentado ao extraterrestre, obedecia também a outros motivos.
Tanaim se aproximou até onde eu estava e, após dar um ligeiro “toque” harmonizador no meu plexo solar, disse:
— Quero que saiba que você nunca poderia ter se oposto a estas experiências. Você não as escolheu, apenas estava em condições de vivenciá-las. Em nosso primeiro encontro, me perguntou, ansioso, por que você tinha sido eleito. Naquele “momento-alternativo”, eu lhe respondi que as razões eram, por uma parte, derivadas de seu progresso espiritual e acrescentei que outras lhe seriam ‘reveladas em breve’, se lembra?— fitou-me de um modo especial.
Lembrava. Como poderia esquecer aquela noite na qual não sabia se era tudo real ou se apenas sonhava... Tanaim, como sempre ouvindo meus pensamentos, acrescentou:
— Sim, eu lembro de suas dúvidas: ‘realidade’ ou ‘sonho’... Era até engraçado vê-lo fechar seus olhos e botar a todo instante sua mão esquerda acima da cabeça e dizer, “isto é um sonho, isto é um sonho” — sorriu divertido.
— O que importa agora é você saber que tudo isto que está vivenciando é real e ao mesmo tempo não é... !
Fiquei surpreso e perguntei:
— O que significa que esta experiência seja real e ao mesmo tempo irreal? — parecia-me tão absurdo ouvir aquilo. Tanaim continuava a sorrir:
— Ora, você sabe, “toda verdade é uma semiverdade”, certo? O que ouviu significa apenas o que ouviu...tanto o que você chama ‘real’ ou ‘verdadeiro’ quanto o que chama ‘sonho’ ou ‘irrealidade’ não são outra coisa senão ‘semiverdades’. As diversas ‘realidades’ ou ‘verdades’ e as diversas ‘irrealidades’ são nada mais que ‘modos’ imperfeitos e temporais de perceber ou não, o Ser manifestado.
Então, tudo quanto viu nestes seus ‘sonhos-conscientes’ é ‘real’ num determinado ‘espaço-tempo-alternativo’ e, ao mesmo tempo, tudo o que viu e o que está vivendo nestes instantes são apenas ‘modos’ de manifestação do Único Ser neste ‘momento e espaço alternativo’. Nada além de diversos ‘graus’ de manifestação do Ser...
Fiquei admirado pela lógica desses conceitos.
— Anthor, eu e você — continuou meu guia — somos um. Ou seja, nós somos expressões do Ser Um, do mesmo modo como no seu mundo todas essas primitivas luminárias, que vocês chamam de ‘lâmpadas’, acesas à noite nas suas cidades e nas suas casas, são apenas canais de manifestação de uma única energia à qual vocês chamam de ‘eletricidade’. Assim é o Ser, o Divino Zero... Uma grande e inesgotável fonte de energia que se manifesta através de cada um de nós. Então nossas existências e personalidades são como essas lâmpadas, sim, somos apenas ‘lâmpadas’ do Ser. Por esta razão, ainda que estejamos em tempos-espaços diferentes, somos parte do Ser Um que se manifesta em todos os planos, em todos os mundos, em todos os céus, em todos os cantos e partículas de todos os macro e microcosmos que existem apenas por Sua Causa... O Ser é a ‘Causa-sem-causa’ de tudo o que vive e existe... Por isso, meu filho, tudo é real e irreal ao mesmo tempo!
Tanaim sorria ao contemplar o estado de confusão “metafísica” em que me encontrava. Eu intuía a verdade de tudo o que ele falava. Aliás, algo em mim já sabia. Acho que começava a compreender, num outro “nível de consciência”, o conceito indiano de Maya, aprendido nas minhas aulas de Filosofia Vedanta Advaita. Maya significa “ilusão” e tudo o que existe é Maya, não porque não seja “real” e sim porque tudo se transforma, daí sua “irrealidade” e “impermanência”. Esse era o sentido profundo do conceito de Maya. Tanaim interrompeu minhas reflexões:
— Estou falando estas coisas apenas para que você possa compreender duas questões importantes. A primeira, para que perceba que tudo pode ser modificado, que nada é permanente, que nos somos os que criamos a realidade, e que esta realidade é Maya,uma ilusão em constante transformação, e que, portanto, a ‘realidade’ perigosa de ‘desvio evolutivo’ que o seu mundo vive nesse ‘tempo-espaço-alternativo’ ao qual chama ‘presente’, pode ser modificada, ou seja, pode ‘virar uma irrealidade’, compreende? Um velho mito grego revela que Cronos, o Tempo devorador de seus filhos, foi vencido no passado... Você e todos os eleitos deverão vencê-lo novamente, abreviando com amor os chamados ‘tempos do fim’, transformando as crises em oportunidades de apoio à evolução. —Tanaim se deteve uns instantes como pensando no modo de falar da segunda razão de todo aquele discurso metafísico.
— Se vocês conseguem unir-se e abreviar os tempos do fim, poderão ‘modificar’ a ‘realidade’ e tornarão ‘irreal’ o potencial desvio evolutivo da espécie. Compreenda o seguinte: quando um ser se torna consciente de si mesmo, ele pode alterar o presente e provocar as alterações correspondentes no passado e no futuro. A própria Física Quântica da sua época já comprovou que no Infinito Campo Universal apenas existem possibilidades e que a maior participação consciente melhores possibilidades podem ser escolhidas.
Lembrei um verso do Baghavad Gita: “Ó Arjuna, assim como o fogo ardente converte a lenha em cinzas, assim também o fogo do conhecimento reduz a cinzas todas as reações das atividades materiais”.
— Sim, meu querido, quando os eleitos começarem a atuar nesse seu presente temporal, o passado e o futuro da humanidade serão transformados ao mesmo tempo, num piscar de olhos, repentinamente. Compreendes por que tudo é real e irreal agora?
— Sim, Tanaim,compreendo agora como intervir no tempo. Devemos agir conscientemente sempre, criando no presente as características do que será o passado e o futuro.
— A segunda razão pela qual lhe falo estas coisas — continuou — é para que o que vai ouvir agora, aquilo que até este instante eu e Anthor tínhamos reservado para lhe dizer no momento mais adequado, possa ser compreendido em toda a sua extensão e complexidade...Lembre-se, então, tudo é ‘real’ e ‘irreal’ ao mesmo tempo. Está claro?
— Acho que sim - respondi um tanto confuso com minha certeza.
— Bem — continuou com sua habitual serenidade - nem todos os eleitos o são pelas mesmas razões e nem vou falar dessas outras razões agora. Apenas revelaremos a você por que é que você foi um dos eleitos para nós. Tudo bem. Começarei lhe revelando as minhas. Terá reparado que, às vezes, você nem sequer precisa me falar porque eu já sei o que você está pensando — Tanaim parecia procurar as palavras certas para dizer algo muito especial — isso acontece entre nós porque fui autorizado a saber tudo sobre você — se deteve de novo e corrigiu: — ou melhor, quase tudo, portanto não precisa temer pela sua ‘privacidade’, tá? — acrescentou sorridente e continuou: — dizia, então, que fui autorizado a saber tudo sobre você pela simples razão de que eu — seu olhar se tornou profundamente amoroso — serei seu pai nesse ‘futuro-alternativo’ do qual você foi testemunha no nosso primeiro encontro.
Entendi subitamente o porquê de meus sentimentos para com ele e sem hesitação o abracei forte e cheio de amor. No fundo eu já sabia, não sei como, mas sabia. Pensei que talvez esses sentimentos tivessem surgido quando vi aquelas crianças brincando ao nosso redor no primeiro encontro interdimensional...
— Sim, querido filho — ele confirmava minha “secreta” intuição — foi nessa ocasião... Lembra da criança que peguei no meu colo naquela ocasião? Pois é... era você!
Enquanto isso, Anthor nos contemplava feliz.Parecia ter esperado por esse instante. Então compreendi que devia existir uma forte razão para ter solicitado a Tanaim que ele iniciasse essas “revelações” tão “familiares”. Mas qual seria essa razão? Por que ele me teria escolhido para conhecer-me pessoalmente? Por que Tanaim o conhecia e o tratava com tanta familiaridade? Eu teria mais uma surpresa.

43 - Minha Origem Estelar


“Sou filho da terra e do céu estrelado; mas sou da raça celeste, saiba-o bem!”.
Antiga inscrição pitagórico-órfica.

Ao mesmo tempo em que eu percebia as cada vez mais rápidas e maravilhosas mudanças externas decorrentes da acelerada passagem de Octor ao Quinto Nível Consciêncial, Anthor começou a relatar uma bela história. Só posso registrar apenas algumas coisas, pois é impossível tentar repetir o que agora guardo como uma das mais belas lembranças no profundo de meu coração. Era a história dos meus ancestrais e suas origens, a saga dos meus antepassados celestiais e terrestres...
— Há milhares de anos, quando meus irmãos visitaram seu planeta, quando a primeira Atlântida atingiu seu maior esplendor, na época em que seu mundo podia ser visitado pelos seres dos diversos mundos superiores... um dos meus antepassados — continuou — Javel-than-ref, amou Zul-an-Asle, a belíssima filha de um dos sábios terrestres daqueles tempos. Esse sábio era Toran, aquele que ‘hoje’ é seu guia e será seu pai no futuro, nosso amado Tanaim. Da união de Javl-than-ref e Zul-an-Asle nasceram An-kor e Talian... Você, meu querido filho, era An-kor. Antes de falar acerca dessa sua remota encarnação, das suas obras e dos seus descendentes, devo revelar-lhe o seguinte: Javl-than-ref, nosso antepassado comum — hoje um Alto Individuum Consciente —, foi um dos mais jovens colaboradores de Thot e após a chegada...
Anthor continuou durante muito tempo revelando-me a história de meus ancestrais e de outras épocas e reencarnações. Por seu poder, minhas memórias foram totalmente despertadas e soube a razão de estar ali, com ele, naquele longínquo mundo. Ao concluir seu maravilhoso relato, ele me disse solenemente:
— “Agora sabe quem você é, conhece sua origem e seu destino: você é um An, um homem-estelar, um dos meus parentes... era por tudo isso que queria conhecê-lo!” — Pousou carinhosamente sua mão na minha cabeça e senti como se eu despertasse para uma realidade superior e mais plena. Estava tão maravilhado com tudo o que tinha ouvido que não reparei no que estava acontecendo nesses instantes à minha volta. Quando me dispunha a expressar a Anthor meu amor e gratidão por tudo o que tinha me revelado, percebi que algo maravilhoso estava acontecendo com o seu belo corpo de luz. A Transformação de Octor atingia seu nível crítico naqueles instantes. Tanaim, sempre alerta, disse:
— Agora, você deverá ser protegido para que possa resistir à forte vibração da Transformação, meu filho.
De imediato, Anthor ordenou ao Canalizador que criasse uma espécie de “aura oval” desde o qual eu e Tanaim pudéssemos contemplar o salto evolutivo daquele planeta superior sem sermos prejudicados nos nossos corpos sutis.
O que vi em seguida foi extraordinário.

44 - A Transformação do Planeta Octor

“Toda a matéria dessa enorme estrutura que tinha 500 mil anos-luz de diâmetro, jorrava de um minúsculo ponto de luz no espaço, quase imperceptível, e que se localizava exatamente entre jatos.
— Vocês estão fazendo Cygnus A?
Vagamente ela se lembrava de uma noite de verão em Michigan, quando ainda era menina. Tivera medo de cair no céu.
— Bem, não estamos sozinhos. Trata-se de um... projeto cooperativo de muitas galáxias. É principalmente isso que fazemos... engenharia. Apenas... alguns de nós estamos envolvidos com civilizações emergentes.”
Carl Sagan, em Contato, Cap.20.

Os Mestres das Sete Leis Sagradas, assim como os demais membros do Alto Conselho Consciente e os Governantes dos 9 Níveis de Manifestação observavam, no “Setor dos Canalizadores”, os últimos preparativos que provocariam a nova fase de aproximação ao “Quinto Nível Consciente”.
Vi todos eles felizes. As “étero-informações” vindas dos Canalizadores eram processadas constantemente para facilitar a fluidez vibracional da “Transformação”. Tinham completado o último estágio como seres tri-cerebrais de Nível Quarto Completo. A evolução nos níveis consciênciais mais densos estava totalmente superada.
Alguns dos melhores “Exploradores” forneciam os “meta-etero-dados”, com os quais os detalhes necessários para o sucesso do “Translado” ao Nível Quinto, integravam-se aos cérebros de todos os seres desse longínquo mundo. Estava tudo pronto.
A preciosa notícia foi conhecida telepaticamente em todos os Setores Dimensionais do planeta: o “Consciente Coletivo” de Octor unia uma vez mais todos eles...
Vi que o Centro Reitor do Sistema Solar do qual Octor era nono planeta, permitia que todo esse delicado processo de “ascensão matenergial e consciêncial” fosse realizado em total harmonia com os Princípios do Código de Thot e da “Lei de Unidade de Todas as Coisas”.
Os Sábios dos 8 planetas vizinhos trabalhavam nos ajustes “matenergiais” necessários para que o equilíbrio daquele sistema Solar não fosse alterado negativamente por aquela extraordinária “mudança”. Contemplei os habitantes de todos esses mundos, meditando e enviando “vibrações positivas” aos octorianos, que retribuíam com ondas mantricas de pleno amor.
Percebi de modo direto e com total certeza, que, graças à Lei de Unidade de Todas as Coisas, o “avanço” octoriano para uma nova oitava de consciência colaboraria com a evolução geral de todas as formas de existência em todo o Cosmo, inclusive com as possibilidades evolutivas de nosso longínquo planeta Terra.
Quando somos crianças brincamos, às vezes, lançando pedrinhas com força num lago de águas tranqüilas só para ver como as ondas produzidas aumentam seu raio de ação até chegar à outra margem, ainda que imperceptivelmente... Octor era, nesse instante, como uma pedra preciosa que vibrava no grande lago da existência cósmica... Senti que sua transcendental vibração chegaria até nós trazida pelas infinitas mãos da luz eterna, para “despertar” nossas próprias “transformações” até conseguir que aquele “futuro-alternativo”, do qual fui testemunha, estivesse totalmente consolidado.
Orei para que essa preciosa influência não fosse desviada da nossa Terra por alguma força contrária...

45 - O Retorno

“De onde vem esta diferença entre o passado e o futuro? Por que nos lembramos do passado e não do futuro?” Stephen W.Hawking

A voz de Tanaim me trouxe repentinamente de volta desses meus pensamentos:
— Tempo de regressar ao seu tempo — olhava para Anthor e suas cada vez mais rápidas transformações. O octoriano se tornava cada vez mais luminoso. Tudo à minha volta parecia translúcido, etéreo. Reparei no meu estado geral. Sentia-me cansado. Não sabia direito, era uma sensação estranha. Tinha estado no passado e no futuro e aquele meu estado era, talvez, uma reação lógica de toda essa alucinante experiência astral. Pressenti que Tanaim tinha razão: era o momento adequado para voltar ao meu “nível dimensional”.
— Devemos partir agora, Mestre Anthor_ele sabia que eu não resistirá às ondas vibracionais do Quinto Nível Consciêncial .
— Ambos se olhavam com profundo amor.

— Eu sei, Tanaim, eu sei... — se aproximou de nós com seu belo corpo de luz e nos abraçou largamente.
— Estarei sempre com vocês — sua voz tinha a bela harmonia dos mantras sagrados.
Senti que nos uníamos além do tempo e do espaço naquele sagrado instante... algo inexplicável... Logo se afastou de nós sem deixar de nos olhar. Pareceu sumir, amoroso e sutil, no infinito.
Depois, só lembro apenas de uma silenciosa explosão de luz...

46 - Vaga-lumes Dançando com luz própria

‘Acredito em ti, minha alma...
Vaga comigo na relva, desata o nó da tua garganta;...
Só gosto da bonança, do zumbir da tua voz aveludada.
Lembro-me de como, de uma feita, nós nos deitamos, numa
transparente manhã de verão.
Rápida se ergueu e espalhou à minha volta a paz e o
conhecimento que sobrelevam todos os argumentos da terra.
E sei que a mão de Deus me foi prometida,
E sei que o Espírito de Deus é irmão do meu,
E que todos os homens já nascidos são também meus irmãos e
as mulheres minhas irmãs e amantes,
E que a sobrequilha da criação é o amor.” Walt Whitman.

Meu corpo físico estava ali, no tempo presente, no quarto, na cama, deitado. Voltei a ter a sensação de entrar numa “luva” estreita quando “entrei” nele. O segundo “contato” tinha sido concluído. Abri lentamente e com certa estranha dificuldade meus olhos. Senti como se estivesse olhando através de um par de janelas. O tique-taque rítmico do velho relógio despertador parecia se impor no silencioso ambiente. Lembro que verifiquei a hora e qual não foi minha surpresa ao perceber que eram apenas 3: 15 da madrugada. Era simplesmente incrível que tudo isso tivesse acontecido em apenas 3 minutos do tempo terrestre.
Levantei-me aos poucos. Era uma sensação muito estranha ter que me mover novamente usando este pesado corpo. Abri a janela e respirei fundo o ar puro da montanha.
Fiquei pensando em tudo o que me tinha sido revelado na “Dimensão das Memórias Cósmicas” e na minha tremenda responsabilidade de ter que compartilhar com outros essa minha experiência. Agora compreendia muitas questões sobre nossa humanidade. Mitos e lendas, antigos ensinamentos e tradições sagradas, pareciam partes de um grande quebra-cabeça que finalmente começava a mostrar-se completo e claro na minha mente. Sentia como era terrível estarmos de novo tão perto de um desvio evolutivo e como era fácil perdermos tudo quanto tínhamos reconquistado após milênios de esquecimento. Porém também percebia quão perto estamos de viver uma Nova Idade de Ouro.
Lembrei a primeira Lei de Thot: “Tudo é Mente, a Raiz do Universo é Mental” e compreendi que tão-somente precisamos escolher essa opção para que seja real. Só precisamos refletir e tornar-nos os eleitos capazes de abreviar, com unidade e amor, os tempos do fim.
As estrelas brilhavam no céu e me lembrei de Octor. Há milhões de anos-luz de distância, esse planeta vivia sua grande transformação. Senti a noite ao meu redor. Os suaves barulhos e o cheiro gostoso da floresta se tornavam mais presentes do que nunca naqueles instantes de lúcidas percepções. A luminosidade noturna parecia pratear as folhas das árvores adormecidas. A brisa fresca beijava o orvalho silencioso e os vaga-lumes, essas mágicas criaturas de luz própria, dançavam livres no meio do mato. Eles me lembravam os habitantes daquele longínquo mundo que finalmente tinham conquistado sua própria luz e que agora ascendiam a uma outra Oitava na Eterna “Harmonia das Esferas”.
Conseguiríamos, como eles, externar a luz divina do Ser que habita em nós, luz que talvez encerra o mistério apocalíptico que anuncia que Deus habitará algum dia conosco os humanos e sua Vontade será feita na nossa Terra?

Fechei a janela e me deitei novamente. Estava relaxado e sentia uma grande paz. Queria sonhar nosso mundo renovado, tão belo como era a Terra futura na qual Tanaim, meu pai e guia, habitava, e tão harmonioso como aquele distante e inesquecível planeta superior no qual existia um ser com o qual estava ligado por laços eternos.
Acho que foi pensando assim que lenta e suavemente adormeci novamente, ignorando o fato de estar começando a dormir como sempre nos acontece nesses imprecisos e esquecidos instantes de todas as noites, pelos quais penetramos na vasta e misteriosa dimensão do sono e dos sonhos...

47 - O Terceiro Contato. Ubiqüidade e Adeus.

“Querida Posteridade, se você não se tornou mais justa, mais pacífica e... mais racional do que nós somos (ou fomos) — ora, então vá para o diabo!” Albert Einstein, mensagem para uma cápsula de tempo 63

Caminhava pela avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, em direção à empresa na qual era esperado para ministrar uma palestra sobre o Eneagrama aplicado aos negócios, quando aconteceu o terceiro contato. Foi tudo muito rápido. Lembro que percebi minha perna direita se movendo lentamente no ar no momento justo de iniciar um novo passo. O barulho intenso da cidade começou a ficar muito longe, até sumir, e todas as pessoas à minha volta desapareceram. Um clarão repentino e, então: Tanaim estava em minha frente! Ele ria divertido ante minha surpresa.
— O que é isto?! Como é possível? — senti que minha pergunta era totalmente “mecânica”.
— Fique tranqüilo, relaxe. Tudo continua acontecendo nesse seu momentum-espaço-temporal. Está comigo aqui e ao mesmo tempo está ali naquela cidade do seu mundo. Ubiqüidade, simplesmente ubiqüidade... Por acaso já não ouviu falar em
— Queria apenas que lembrasse mais uma vez nosso futuro alternativo — diz amoroso. Então, levantou sua mão direita. Parecia que, de repente, tudo ficava mais luminoso e mais belo. Ele sorria. Meu olhar se perdeu no infinito e tive, de novo, numa fração de segundos, a maravilhosa visão do nosso mundo futuro.Um novo céu ubiqüidade, ou no poder de estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo?
— Sim, mas eu gostaria de saber...
Como sempre, nem tive tempo de perguntar como podia fazer aquilo e, no final, adiantaria alguma coisa? e uma nova terra...
Olhei uma vez mais o rosto de Tanaim para poder fixá-lo em minha memória e perguntei:
— Pai, será que conseguiremos desta vez?
— Sim, conseguiremos de um modo ou de outro. Por acaso você esqueceu que eu já existo nesse novo mundo?... Devo ir embora... Nós nos veremos em breve... Comunique o que você viu a todos e continue a trabalhar por sua evolução individual, essa é uma das mais poderosas maneiras com as quais um ser humano pode colaborar para abreviar os tempos do fim. Ame esta sua Terra e colabore com todos os eleitos para que juntos provoquem o fim do possível ‘desvio’. Não abandone seu mundo, não desista dele, tenha amor pela natureza, sinta amor por todos, tenha fé e esperança. Permaneça nele e colabore, para que ele seja mais humano e mais justo.
Agora já sabe como abreviar os tempos do fim: Viva conforme o Eneagrama da Unidade e faça sua parte, confiando unicamente no atemporal poder do Amor.”
Senti mais uma vez sua agradável vibração no profundo do meu coração. Despedia-se amoroso.
— Até já meu filho.
Sorri enquanto estendia meus braços num vão intento de abraçá-lo mais uma vez. A figura de Tanaim desaparecia, translúcida, naquela dimensão do futuro-alternativo na qual ele já existia.
— Até já, Tanaim, até já pai! — respondi mentalmente. Tinha certeza de que a partir desse dia nos voltaríamos a reunir muitas vezes nesse plano dimensional no qual se penetra através dos “sonhos-conscientes...”.
Lembro que o barulho do tráfego na avenida Rio Branco chegou de repente aos meus ouvidos. Senti minha perna direita se movendo no ar para dar um novo passo. Tinham sido apenas “alguns segundos” no futuro! As pessoas apressadas passando, indo e vindo, o céu azul, as árvores, a luz daquele lindo e ensolarado dia. Tudo continuava acontecendo como sempre no meu “espaço-tempo presente”.
Senti o calor de algumas suaves lágrimas no meu rosto. Saudades. Respirei fundo. Olhei meu relógio. A reunião de negócios para a qual tinha sido convidado se iniciaria dentro de exatos 11 minutos. Tudo bem. Estava perto.
Um grupo de crianças espertas e brincalhonas passava perto de mim, de mãos dadas, rindo à toa, atrás de duas jovens professoras, que tentavam inutilmente mantê-las em ordem. Talvez estivessem indo visitar alguma exposição no Museu de Arte ali perto, ou talvez iriam conhecer a Biblioteca Pública. Olhando-as, despreocupadas e felizes, minha esperança de um mundo melhor se confirmava...
Atravessei a avenida... Sentia-me cheio de energia. Reparei o quanto gostava de toda essa agitada rotina do Rio de Janeiro. Para certificar-me de que não estava sonhando, botei minha mão esquerda na cabeça e repeti “tudo isto é um sonho”, então, sorri feliz e grato por estar existindo nesse instante, neste presente, ao mesmo tempo em que você.
Afinal — pensei —, tudo isto é real e irreal ao mesmo tempo...