Livros e DVD - apocalipse 21
Parte IX
Real ou Irreal?
“Na cidade onde Nasrudin, o Mestre, vivia,
comentavam-se muitas estórias e lendas sobre
ele. Uma das mais antigas relatava que os
antepassados de Nasrudin tinham chegado há
mais de 100.000 anos, vindos de uma grande e
longínqua estrela chamada Kanopp.
Um dos seus jovens discípulos, após ouvir
esta
estória ficou estarrecido e confuso e
apresentando-se perante ele lhe perguntou:
— Diga-me, Mestre: é verdade que seus antepassados
vieram de uma estrela tão longínqua? Porque,
se for
assim, não lhe vejo muito preocupado com
o que possa estar acontecendo lá com seus parentes.
— Veja só — respondeu Nasrudin —,
se nada nessa
lenda é verdadeiro, não vejo por que deveria
preocupar-me, e se, pelo contrário, ela é
verdadeira, então são eles que devem estar
preocupados por ter-me deixado aqui!
Do livro “Cuentos Enseñanza del Maestro
Sufi
Nasrudin’ reunidos por H. D. Halka
na “Colección Cuentos Sufis” da
Editora “Dervish International”
42 - Voltando da Dimensão das Memórias
Cósmicas. Reordenamento e Harmonização.
Revelações metafísicas. Toda verdade
e semiverdade. Como evitar ser devorado pelo impiedoso
Cronos. Novas surpresas!
“Ele não ficou nem um pouco impressionado.
— Você deve entender de uma vez por todas
que essas são coisas normais na vida de um feiticeiro.
Você não está ficando louco; está
simplesmente ouvindo a voz do emissário do sonhar
[...]
— O que é o emissário do sonho?
— Energia alienígena consciente. Energia
alienígena que procura ajudar os sonhadores [...]”
Diálogo entre Don Juan e Carlos Castañeda
Quando Anthor “desligou” o Canalizador,
a esfera multidimensional na qual flutuávamos
pareceu “sumir” novamente no ar transformada
em milhares de pontos luminosos. Enquanto os milhares
de pontos de luz voltavam a tomar sua forma original,
percebi, maravilhado, que nossos corpos não tinham
mudado de posição naquela espaçosa
“sala” octoriana. Desconcertado com o longo
sofrimento da nossa espécie e perplexo com todas
aquelas visões e revelações, lembro
que chorei muito e que fazia muitas perguntas aos meus
guias. Eles não responderam, aguardando com sabedoria
meu centramento normal. Aos poucos consegui me acalmar.
Fiquei em silêncio durante muito tempo. Não
era mais o mesmo, ou melhor, nunca mais poderia ser
como antes.
Anthor e Tanaim reordenaram minhas energias e alinharam
todos os meus centros e chakras até que, aos
poucos, voltei à “normalidade”.
Então, percebi que Octor estava acelerando seu
processo de transformação e comecei a
sentir como se todas as coisas ao meu redor ficassem
mais luminosas e vibrantes.
Contemplei Anthor e admirei as harmoniosas “alterações”
que estavam acontecendo em sua estrutura psico-bio-energética.
O octoriano interrompeu nosso longo silêncio:
— Vejo que já está recuperado.
— Sim — respondi — foi uma experiência
muito forte...já estou bem.”
— Sei o que quer dizer. Relaxe, apenas relaxe...
—Tanaim me olhava com ternura. Anthor voltou a
falar:
— Penso, meu querido Tanaim, que você deve
dizer agora as razões pelas quais ele foi escolhido
para esta experiência interdimensional. Dessa
maneira, as minhas talvez possam ser mais facilmente
compreendidas. Não acha?
Essa declaração me provocou uma intensa
curiosidade. Embora tivesse consciência que tudo
quanto me tinha sido revelado ali poderia ter dispensado
nossa “viagem interdimensional”, intuía
que a razão pela qual meu guia do futuro tinha
me levado até Octor e me apresentado ao extraterrestre,
obedecia também a outros motivos.
Tanaim se aproximou até onde eu estava e, após
dar um ligeiro “toque” harmonizador no meu
plexo solar, disse:
— Quero que saiba que você nunca poderia
ter se oposto a estas experiências. Você
não as escolheu, apenas estava em condições
de vivenciá-las. Em nosso primeiro encontro,
me perguntou, ansioso, por que você tinha sido
eleito. Naquele “momento-alternativo”, eu
lhe respondi que as razões eram, por uma parte,
derivadas de seu progresso espiritual e acrescentei
que outras lhe seriam ‘reveladas em breve’,
se lembra?— fitou-me de um modo especial.
Lembrava. Como poderia esquecer aquela noite na qual
não sabia se era tudo real ou se apenas sonhava...
Tanaim, como sempre ouvindo meus pensamentos, acrescentou:
— Sim, eu lembro de suas dúvidas: ‘realidade’
ou ‘sonho’... Era até engraçado
vê-lo fechar seus olhos e botar a todo instante
sua mão esquerda acima da cabeça e dizer,
“isto é um sonho, isto é um sonho”
— sorriu divertido.
— O que importa agora é você saber
que tudo isto que está vivenciando é real
e ao mesmo tempo não é... !
Fiquei surpreso e perguntei:
— O que significa que esta experiência seja
real e ao mesmo tempo irreal? — parecia-me tão
absurdo ouvir aquilo. Tanaim continuava a sorrir:
— Ora, você sabe, “toda verdade é
uma semiverdade”, certo? O que ouviu significa
apenas o que ouviu...tanto o que você chama ‘real’
ou ‘verdadeiro’ quanto o que chama ‘sonho’
ou ‘irrealidade’ não são outra
coisa senão ‘semiverdades’. As diversas
‘realidades’ ou ‘verdades’ e
as diversas ‘irrealidades’ são nada
mais que ‘modos’ imperfeitos e temporais
de perceber ou não, o Ser manifestado.
Então, tudo quanto viu nestes seus ‘sonhos-conscientes’
é ‘real’ num determinado ‘espaço-tempo-alternativo’
e, ao mesmo tempo, tudo o que viu e o que está
vivendo nestes instantes são apenas ‘modos’
de manifestação do Único Ser neste
‘momento e espaço alternativo’. Nada
além de diversos ‘graus’ de manifestação
do Ser...
Fiquei admirado pela lógica desses conceitos.
— Anthor, eu e você — continuou meu
guia — somos um. Ou seja, nós somos expressões
do Ser Um, do mesmo modo como no seu mundo todas essas
primitivas luminárias, que vocês chamam
de ‘lâmpadas’, acesas à noite
nas suas cidades e nas suas casas, são apenas
canais de manifestação de uma única
energia à qual vocês chamam de ‘eletricidade’.
Assim é o Ser, o Divino Zero... Uma grande e
inesgotável fonte de energia que se manifesta
através de cada um de nós. Então
nossas existências e personalidades são
como essas lâmpadas, sim, somos apenas ‘lâmpadas’
do Ser. Por esta razão, ainda que estejamos em
tempos-espaços diferentes, somos parte do Ser
Um que se manifesta em todos os planos, em todos os
mundos, em todos os céus, em todos os cantos
e partículas de todos os macro e microcosmos
que existem apenas por Sua Causa... O Ser é a
‘Causa-sem-causa’ de tudo o que vive e existe...
Por isso, meu filho, tudo é real e irreal ao
mesmo tempo!
Tanaim sorria ao contemplar o estado de confusão
“metafísica” em que me encontrava.
Eu intuía a verdade de tudo o que ele falava.
Aliás, algo em mim já sabia. Acho que
começava a compreender, num outro “nível
de consciência”, o conceito indiano de Maya,
aprendido nas minhas aulas de Filosofia Vedanta Advaita.
Maya significa “ilusão” e tudo o
que existe é Maya, não porque não
seja “real” e sim porque tudo se transforma,
daí sua “irrealidade” e “impermanência”.
Esse era o sentido profundo do conceito de Maya. Tanaim
interrompeu minhas reflexões:
— Estou falando estas coisas apenas para que você
possa compreender duas questões importantes.
A primeira, para que perceba que tudo pode ser modificado,
que nada é permanente, que nos somos os que criamos
a realidade, e que esta realidade é Maya,uma
ilusão em constante transformação,
e que, portanto, a ‘realidade’ perigosa
de ‘desvio evolutivo’ que o seu mundo vive
nesse ‘tempo-espaço-alternativo’
ao qual chama ‘presente’, pode ser modificada,
ou seja, pode ‘virar uma irrealidade’, compreende?
Um velho mito grego revela que Cronos, o Tempo devorador
de seus filhos, foi vencido no passado... Você
e todos os eleitos deverão vencê-lo novamente,
abreviando com amor os chamados ‘tempos do fim’,
transformando as crises em oportunidades de apoio à
evolução. —Tanaim se deteve uns
instantes como pensando no modo de falar da segunda
razão de todo aquele discurso metafísico.
— Se vocês conseguem unir-se e abreviar
os tempos do fim, poderão ‘modificar’
a ‘realidade’ e tornarão ‘irreal’
o potencial desvio evolutivo da espécie. Compreenda
o seguinte: quando um ser se torna consciente de si
mesmo, ele pode alterar o presente e provocar as alterações
correspondentes no passado e no futuro. A própria
Física Quântica da sua época já
comprovou que no Infinito Campo Universal apenas existem
possibilidades e que a maior participação
consciente melhores possibilidades podem ser escolhidas.
Lembrei um verso do Baghavad Gita: “Ó Arjuna,
assim como o fogo ardente converte a lenha em cinzas,
assim também o fogo do conhecimento reduz a cinzas
todas as reações das atividades materiais”.
— Sim, meu querido, quando os eleitos começarem
a atuar nesse seu presente temporal, o passado e o futuro
da humanidade serão transformados ao mesmo tempo,
num piscar de olhos, repentinamente. Compreendes por
que tudo é real e irreal agora?
— Sim, Tanaim,compreendo agora como intervir no
tempo. Devemos agir conscientemente sempre, criando
no presente as características do que será
o passado e o futuro.
— A segunda razão pela qual lhe falo estas
coisas — continuou — é para que o
que vai ouvir agora, aquilo que até este instante
eu e Anthor tínhamos reservado para lhe dizer
no momento mais adequado, possa ser compreendido em
toda a sua extensão e complexidade...Lembre-se,
então, tudo é ‘real’ e ‘irreal’
ao mesmo tempo. Está claro?
— Acho que sim - respondi um tanto confuso com
minha certeza.
— Bem — continuou com sua habitual serenidade
- nem todos os eleitos o são pelas mesmas razões
e nem vou falar dessas outras razões agora. Apenas
revelaremos a você por que é que você
foi um dos eleitos para nós. Tudo bem. Começarei
lhe revelando as minhas. Terá reparado que, às
vezes, você nem sequer precisa me falar porque
eu já sei o que você está pensando
— Tanaim parecia procurar as palavras certas para
dizer algo muito especial — isso acontece entre
nós porque fui autorizado a saber tudo sobre
você — se deteve de novo e corrigiu: —
ou melhor, quase tudo, portanto não precisa temer
pela sua ‘privacidade’, tá? —
acrescentou sorridente e continuou: — dizia, então,
que fui autorizado a saber tudo sobre você pela
simples razão de que eu — seu olhar se
tornou profundamente amoroso — serei seu pai nesse
‘futuro-alternativo’ do qual você
foi testemunha no nosso primeiro encontro.
Entendi subitamente o porquê de meus sentimentos
para com ele e sem hesitação o abracei
forte e cheio de amor. No fundo eu já sabia,
não sei como, mas sabia. Pensei que talvez esses
sentimentos tivessem surgido quando vi aquelas crianças
brincando ao nosso redor no primeiro encontro interdimensional...
— Sim, querido filho — ele confirmava minha
“secreta” intuição —
foi nessa ocasião... Lembra da criança
que peguei no meu colo naquela ocasião? Pois
é... era você!
Enquanto isso, Anthor nos contemplava feliz.Parecia
ter esperado por esse instante. Então compreendi
que devia existir uma forte razão para ter solicitado
a Tanaim que ele iniciasse essas “revelações”
tão “familiares”. Mas qual seria
essa razão? Por que ele me teria escolhido para
conhecer-me pessoalmente? Por que Tanaim o conhecia
e o tratava com tanta familiaridade? Eu teria mais uma
surpresa.
43 - Minha Origem Estelar
“Sou filho da terra e do céu estrelado;
mas sou da raça celeste, saiba-o bem!”.
Antiga inscrição pitagórico-órfica.
Ao mesmo tempo em que eu percebia as cada vez mais rápidas
e maravilhosas mudanças externas decorrentes
da acelerada passagem de Octor ao Quinto Nível
Consciêncial, Anthor começou a relatar
uma bela história. Só posso registrar
apenas algumas coisas, pois é impossível
tentar repetir o que agora guardo como uma das mais
belas lembranças no profundo de meu coração.
Era a história dos meus ancestrais e suas origens,
a saga dos meus antepassados celestiais e terrestres...
— Há milhares de anos, quando meus irmãos
visitaram seu planeta, quando a primeira Atlântida
atingiu seu maior esplendor, na época em que
seu mundo podia ser visitado pelos seres dos diversos
mundos superiores... um dos meus antepassados —
continuou — Javel-than-ref, amou Zul-an-Asle,
a belíssima filha de um dos sábios terrestres
daqueles tempos. Esse sábio era Toran, aquele
que ‘hoje’ é seu guia e será
seu pai no futuro, nosso amado Tanaim. Da união
de Javl-than-ref e Zul-an-Asle nasceram An-kor e Talian...
Você, meu querido filho, era An-kor. Antes de
falar acerca dessa sua remota encarnação,
das suas obras e dos seus descendentes, devo revelar-lhe
o seguinte: Javl-than-ref, nosso antepassado comum —
hoje um Alto Individuum Consciente —, foi um dos
mais jovens colaboradores de Thot e após a chegada...
Anthor continuou durante muito tempo revelando-me a
história de meus ancestrais e de outras épocas
e reencarnações. Por seu poder, minhas
memórias foram totalmente despertadas e soube
a razão de estar ali, com ele, naquele longínquo
mundo. Ao concluir seu maravilhoso relato, ele me disse
solenemente:
— “Agora sabe quem você é,
conhece sua origem e seu destino: você é
um An, um homem-estelar, um dos meus parentes... era
por tudo isso que queria conhecê-lo!” —
Pousou carinhosamente sua mão na minha cabeça
e senti como se eu despertasse para uma realidade superior
e mais plena. Estava tão maravilhado com tudo
o que tinha ouvido que não reparei no que estava
acontecendo nesses instantes à minha volta. Quando
me dispunha a expressar a Anthor meu amor e gratidão
por tudo o que tinha me revelado, percebi que algo maravilhoso
estava acontecendo com o seu belo corpo de luz. A Transformação
de Octor atingia seu nível crítico naqueles
instantes. Tanaim, sempre alerta, disse:
— Agora, você deverá ser protegido
para que possa resistir à forte vibração
da Transformação, meu filho.
De imediato, Anthor ordenou ao Canalizador que criasse
uma espécie de “aura oval” desde
o qual eu e Tanaim pudéssemos contemplar o salto
evolutivo daquele planeta superior sem sermos prejudicados
nos nossos corpos sutis.
O que vi em seguida foi extraordinário.
44 - A Transformação do Planeta
Octor
“Toda a matéria dessa enorme estrutura
que tinha 500 mil anos-luz de diâmetro, jorrava
de um minúsculo ponto de luz no espaço,
quase imperceptível, e que se localizava exatamente
entre jatos.
— Vocês estão fazendo Cygnus A?
Vagamente ela se lembrava de uma noite de verão
em Michigan, quando ainda era menina. Tivera medo de
cair no céu.
— Bem, não estamos sozinhos. Trata-se de
um... projeto cooperativo de muitas galáxias.
É principalmente isso que fazemos... engenharia.
Apenas... alguns de nós estamos envolvidos com
civilizações emergentes.”
Carl Sagan, em Contato, Cap.20.
Os Mestres das Sete Leis Sagradas, assim como os demais
membros do Alto Conselho Consciente e os Governantes
dos 9 Níveis de Manifestação observavam,
no “Setor dos Canalizadores”, os últimos
preparativos que provocariam a nova fase de aproximação
ao “Quinto Nível Consciente”.
Vi todos eles felizes. As “étero-informações”
vindas dos Canalizadores eram processadas constantemente
para facilitar a fluidez vibracional da “Transformação”.
Tinham completado o último estágio como
seres tri-cerebrais de Nível Quarto Completo.
A evolução nos níveis consciênciais
mais densos estava totalmente superada.
Alguns dos melhores “Exploradores” forneciam
os “meta-etero-dados”, com os quais os detalhes
necessários para o sucesso do “Translado”
ao Nível Quinto, integravam-se aos cérebros
de todos os seres desse longínquo mundo. Estava
tudo pronto.
A preciosa notícia foi conhecida telepaticamente
em todos os Setores Dimensionais do planeta: o “Consciente
Coletivo” de Octor unia uma vez mais todos eles...
Vi que o Centro Reitor do Sistema Solar do qual Octor
era nono planeta, permitia que todo esse delicado processo
de “ascensão matenergial e consciêncial”
fosse realizado em total harmonia com os Princípios
do Código de Thot e da “Lei de Unidade
de Todas as Coisas”.
Os Sábios dos 8 planetas vizinhos trabalhavam
nos ajustes “matenergiais” necessários
para que o equilíbrio daquele sistema Solar não
fosse alterado negativamente por aquela extraordinária
“mudança”. Contemplei os habitantes
de todos esses mundos, meditando e enviando “vibrações
positivas” aos octorianos, que retribuíam
com ondas mantricas de pleno amor.
Percebi de modo direto e com total certeza, que, graças
à Lei de Unidade de Todas as Coisas, o “avanço”
octoriano para uma nova oitava de consciência
colaboraria com a evolução geral de todas
as formas de existência em todo o Cosmo, inclusive
com as possibilidades evolutivas de nosso longínquo
planeta Terra.
Quando somos crianças brincamos, às vezes,
lançando pedrinhas com força num lago
de águas tranqüilas só para ver como
as ondas produzidas aumentam seu raio de ação
até chegar à outra margem, ainda que imperceptivelmente...
Octor era, nesse instante, como uma pedra preciosa que
vibrava no grande lago da existência cósmica...
Senti que sua transcendental vibração
chegaria até nós trazida pelas infinitas
mãos da luz eterna, para “despertar”
nossas próprias “transformações”
até conseguir que aquele “futuro-alternativo”,
do qual fui testemunha, estivesse totalmente consolidado.
Orei para que essa preciosa influência não
fosse desviada da nossa Terra por alguma força
contrária...
45 - O Retorno
“De onde vem esta diferença entre o passado
e o futuro? Por que nos lembramos do passado e não
do futuro?” Stephen W.Hawking
A voz de Tanaim me trouxe repentinamente de volta desses
meus pensamentos:
— Tempo de regressar ao seu tempo — olhava
para Anthor e suas cada vez mais rápidas transformações.
O octoriano se tornava cada vez mais luminoso. Tudo
à minha volta parecia translúcido, etéreo.
Reparei no meu estado geral. Sentia-me cansado. Não
sabia direito, era uma sensação estranha.
Tinha estado no passado e no futuro e aquele meu estado
era, talvez, uma reação lógica
de toda essa alucinante experiência astral. Pressenti
que Tanaim tinha razão: era o momento adequado
para voltar ao meu “nível dimensional”.
— Devemos partir agora, Mestre Anthor_ele sabia
que eu não resistirá às ondas vibracionais
do Quinto Nível Consciêncial .
— Ambos se olhavam com profundo amor.
— Eu sei, Tanaim, eu sei... — se aproximou
de nós com seu belo corpo de luz e nos abraçou
largamente.
— Estarei sempre com vocês — sua voz
tinha a bela harmonia dos mantras sagrados.
Senti que nos uníamos além do tempo e
do espaço naquele sagrado instante... algo inexplicável...
Logo se afastou de nós sem deixar de nos olhar.
Pareceu sumir, amoroso e sutil, no infinito.
Depois, só lembro apenas de uma silenciosa explosão
de luz...
46 - Vaga-lumes Dançando com luz própria
‘Acredito em ti, minha alma...
Vaga comigo na relva, desata o nó da tua garganta;...
Só gosto da bonança, do zumbir da tua
voz aveludada.
Lembro-me de como, de uma feita, nós nos deitamos,
numa
transparente manhã de verão.
Rápida se ergueu e espalhou à minha volta
a paz e o
conhecimento que sobrelevam todos os argumentos da terra.
E sei que a mão de Deus me foi prometida,
E sei que o Espírito de Deus é irmão
do meu,
E que todos os homens já nascidos são
também meus irmãos e
as mulheres minhas irmãs e amantes,
E que a sobrequilha da criação é
o amor.” Walt Whitman.
Meu corpo físico estava ali, no tempo presente,
no quarto, na cama, deitado. Voltei a ter a sensação
de entrar numa “luva” estreita quando “entrei”
nele. O segundo “contato” tinha sido concluído.
Abri lentamente e com certa estranha dificuldade meus
olhos. Senti como se estivesse olhando através
de um par de janelas. O tique-taque rítmico do
velho relógio despertador parecia se impor no
silencioso ambiente. Lembro que verifiquei a hora e
qual não foi minha surpresa ao perceber que eram
apenas 3: 15 da madrugada. Era simplesmente incrível
que tudo isso tivesse acontecido em apenas 3 minutos
do tempo terrestre.
Levantei-me aos poucos. Era uma sensação
muito estranha ter que me mover novamente usando este
pesado corpo. Abri a janela e respirei fundo o ar puro
da montanha.
Fiquei pensando em tudo o que me tinha sido revelado
na “Dimensão das Memórias Cósmicas”
e na minha tremenda responsabilidade de ter que compartilhar
com outros essa minha experiência. Agora compreendia
muitas questões sobre nossa humanidade. Mitos
e lendas, antigos ensinamentos e tradições
sagradas, pareciam partes de um grande quebra-cabeça
que finalmente começava a mostrar-se completo
e claro na minha mente. Sentia como era terrível
estarmos de novo tão perto de um desvio evolutivo
e como era fácil perdermos tudo quanto tínhamos
reconquistado após milênios de esquecimento.
Porém também percebia quão perto
estamos de viver uma Nova Idade de Ouro.
Lembrei a primeira Lei de Thot: “Tudo é
Mente, a Raiz do Universo é Mental” e compreendi
que tão-somente precisamos escolher essa opção
para que seja real. Só precisamos refletir e
tornar-nos os eleitos capazes de abreviar, com unidade
e amor, os tempos do fim.
As estrelas brilhavam no céu e me lembrei de
Octor. Há milhões de anos-luz de distância,
esse planeta vivia sua grande transformação.
Senti a noite ao meu redor. Os suaves barulhos e o cheiro
gostoso da floresta se tornavam mais presentes do que
nunca naqueles instantes de lúcidas percepções.
A luminosidade noturna parecia pratear as folhas das
árvores adormecidas. A brisa fresca beijava o
orvalho silencioso e os vaga-lumes, essas mágicas
criaturas de luz própria, dançavam livres
no meio do mato. Eles me lembravam os habitantes daquele
longínquo mundo que finalmente tinham conquistado
sua própria luz e que agora ascendiam a uma outra
Oitava na Eterna “Harmonia das Esferas”.
Conseguiríamos, como eles, externar a luz divina
do Ser que habita em nós, luz que talvez encerra
o mistério apocalíptico que anuncia que
Deus habitará algum dia conosco os humanos e
sua Vontade será feita na nossa Terra?
Fechei a janela e me deitei novamente. Estava relaxado
e sentia uma grande paz. Queria sonhar nosso mundo renovado,
tão belo como era a Terra futura na qual Tanaim,
meu pai e guia, habitava, e tão harmonioso como
aquele distante e inesquecível planeta superior
no qual existia um ser com o qual estava ligado por
laços eternos.
Acho que foi pensando assim que lenta e suavemente adormeci
novamente, ignorando o fato de estar começando
a dormir como sempre nos acontece nesses imprecisos
e esquecidos instantes de todas as noites, pelos quais
penetramos na vasta e misteriosa dimensão do
sono e dos sonhos...
47 - O Terceiro Contato. Ubiqüidade e Adeus.
“Querida Posteridade, se você não
se tornou mais justa, mais pacífica e... mais
racional do que nós somos (ou fomos) —
ora, então vá para o diabo!” Albert
Einstein, mensagem para uma cápsula de tempo
63
Caminhava pela avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro,
em direção à empresa na qual era
esperado para ministrar uma palestra sobre o Eneagrama
aplicado aos negócios, quando aconteceu o terceiro
contato. Foi tudo muito rápido. Lembro que percebi
minha perna direita se movendo lentamente no ar no momento
justo de iniciar um novo passo. O barulho intenso da
cidade começou a ficar muito longe, até
sumir, e todas as pessoas à minha volta desapareceram.
Um clarão repentino e, então: Tanaim estava
em minha frente! Ele ria divertido ante minha surpresa.
— O que é isto?! Como é possível?
— senti que minha pergunta era totalmente “mecânica”.
— Fique tranqüilo, relaxe. Tudo continua
acontecendo nesse seu momentum-espaço-temporal.
Está comigo aqui e ao mesmo tempo está
ali naquela cidade do seu mundo. Ubiqüidade, simplesmente
ubiqüidade... Por acaso já não ouviu
falar em
— Queria apenas que lembrasse mais uma vez nosso
futuro alternativo — diz amoroso. Então,
levantou sua mão direita. Parecia que, de repente,
tudo ficava mais luminoso e mais belo. Ele sorria. Meu
olhar se perdeu no infinito e tive, de novo, numa fração
de segundos, a maravilhosa visão do nosso mundo
futuro.Um novo céu ubiqüidade, ou no poder
de estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo?
— Sim, mas eu gostaria de saber...
Como sempre, nem tive tempo de perguntar como podia
fazer aquilo e, no final, adiantaria alguma coisa? e
uma nova terra...
Olhei uma vez mais o rosto de Tanaim para poder fixá-lo
em minha memória e perguntei:
— Pai, será que conseguiremos desta vez?
— Sim, conseguiremos de um modo ou de outro. Por
acaso você esqueceu que eu já existo nesse
novo mundo?... Devo ir embora... Nós nos veremos
em breve... Comunique o que você viu a todos e
continue a trabalhar por sua evolução
individual, essa é uma das mais poderosas maneiras
com as quais um ser humano pode colaborar para abreviar
os tempos do fim. Ame esta sua Terra e colabore com
todos os eleitos para que juntos provoquem o fim do
possível ‘desvio’. Não abandone
seu mundo, não desista dele, tenha amor pela
natureza, sinta amor por todos, tenha fé e esperança.
Permaneça nele e colabore, para que ele seja
mais humano e mais justo.
Agora já sabe como abreviar os tempos do fim:
Viva conforme o Eneagrama da Unidade e faça sua
parte, confiando unicamente no atemporal poder do Amor.”
Senti mais uma vez sua agradável vibração
no profundo do meu coração. Despedia-se
amoroso.
— Até já meu filho.
Sorri enquanto estendia meus braços num vão
intento de abraçá-lo mais uma vez. A figura
de Tanaim desaparecia, translúcida, naquela dimensão
do futuro-alternativo na qual ele já existia.
— Até já, Tanaim, até já
pai! — respondi mentalmente. Tinha certeza de
que a partir desse dia nos voltaríamos a reunir
muitas vezes nesse plano dimensional no qual se penetra
através dos “sonhos-conscientes...”.
Lembro que o barulho do tráfego na avenida Rio
Branco chegou de repente aos meus ouvidos. Senti minha
perna direita se movendo no ar para dar um novo passo.
Tinham sido apenas “alguns segundos” no
futuro! As pessoas apressadas passando, indo e vindo,
o céu azul, as árvores, a luz daquele
lindo e ensolarado dia. Tudo continuava acontecendo
como sempre no meu “espaço-tempo presente”.
Senti o calor de algumas suaves lágrimas no meu
rosto. Saudades. Respirei fundo. Olhei meu relógio.
A reunião de negócios para a qual tinha
sido convidado se iniciaria dentro de exatos 11 minutos.
Tudo bem. Estava perto.
Um grupo de crianças espertas e brincalhonas
passava perto de mim, de mãos dadas, rindo à
toa, atrás de duas jovens professoras, que tentavam
inutilmente mantê-las em ordem. Talvez estivessem
indo visitar alguma exposição no Museu
de Arte ali perto, ou talvez iriam conhecer a Biblioteca
Pública. Olhando-as, despreocupadas e felizes,
minha esperança de um mundo melhor se confirmava...
Atravessei a avenida... Sentia-me cheio de energia.
Reparei o quanto gostava de toda essa agitada rotina
do Rio de Janeiro. Para certificar-me de que não
estava sonhando, botei minha mão esquerda na
cabeça e repeti “tudo isto é um
sonho”, então, sorri feliz e grato por
estar existindo nesse instante, neste presente, ao mesmo
tempo em que você.
Afinal — pensei —, tudo isto é real
e irreal ao mesmo tempo...
|