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Livros e DVD - apocalipse 21

Parte II

A Viagem

“... iniciou-se uma discussão.
O tema era
a Travessia Noturna do Profeta Maomé.
Diz-se que naquela ocasião
o Profeta foi removido de seu leito
para as esferas celestiais [...]
viveu muitas... experiências,
sendo trazido de volta ao seu quarto
quando sua cama ainda estava morna.
Uma moringa cheia d’água que fora
derrubada e derramada
por ocasião do vôo celestial
ainda não esvaziara
quando o Profeta retornou [...]
Alguns sustentavam ser isso possível [...]
O Sultão afirmava ser algo impossível...”

Fragmento de um conto sufi extraído do livro
Histórias dos Dervixes Compiladas por Idries Shah

6 - Reflexões e Perguntas

“Conheço um homem em Cristo que, há quatorze anos, foi arrebatado ao Terceiro Céu — se em seu corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus sabe! — E sei que esse homem... foi arrebatado até o paraíso e ouviu palavras inefáveis, que não é lícito ao homem repetir...” São Paulo Apóstolo, na Segunda Carta aos Coríntios.

Tinham-se passado 40 dias desde o primeiro contato com Tanaim. Estava em casa, finalizando um rotineiro relatório de marketing no meu laptop quando, subitamente, senti a estranha sensação de que ele estava ali, observando-me. Instantaneamente comecei a relembrar tudo o que ele me tinha dito dando início a uma profunda reflexão acerca da minha condição de eleito.
Um inesperado telefonema me fez voltar à realidade. Haveria uma reunião com o diretor de marketing e outros executivos da área, numa das empresas para a qual prestava consultoria como especialista em Eneagrama aplicado ás vendas. Uma nova campanha publicitária seria iniciada. Minha participação era importante para colaborar na análise dos detalhes da mesma e na tomada de decisões junto aos representantes e criativos da agência publicitária. Porém essa estranha sensação de Tanaim estar ali comigo continuava e não conseguia pensar no assunto. Tinha certeza de que o anunciado novo encontro estava por acontecer a qualquer momento.

***

Aquela noite, após preparar alguns assuntos relativos à reunião do dia seguinte, desliguei meu laptop e sai ao jardim para meditar. É tão bom ficar apenas sentindo o Ser! À minha volta todo o silêncio da floresta que rodeia nossa casa somente era interrompido pelos diferentes barulhos noturnos. Faltavam poucos dias para o mundo cristão celebrar um novo Natal e, naqueles instantes, de comunhão e centramento, a lembrança do nascimento de Jesus Cristo e da sua sagrada missão me fez refletir com mais intensidade nas palavras do meu guia do futuro:
É urgente abreviar os tempos de Kali Yuga. Sim, é urgente. Todos sabemos disso, pensei. Talvez seja por isso que em cada Natal a gente deseja, no profundo dos nossos corações, que todas as formas de miséria e injustiça acabem de uma vez para sempre. No fundo, queremos um mundo melhor e queremos ser felizes, simplesmente, porque algo no fundo de nos sabe que isso é possível. Pensei que se o amor dos eleitos fosse a causa dos Tempos do Fim serem abreviados, então, o fato de nos esforçarmos por amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, nos daria o poder necessário para transformar nosso mundo doente num paraíso. Compreendia, apesar das minhas dúvidas, que o que nos tornaria dignos de sermos eleitos para essa empreitada, era apenas uma questão de atitude e escolha interna. Uma escolha feita por amor ao Superior e a nós mesmos, porque somente amando a nós mesmos conseguiríamos superar todos os nossos vícios, mentiras e medos. E não são, por acaso, essas nossas trevas internas que justamente nos impedem de amar aos nossos próximos? Não é essa a causa de todos os nossos males? Visualizei, então, o estado no qual se encontra nosso mundo. Quantos paradoxos! Todos os dias nos jornais, revistas e noticiários da TV a gente lê, ouve e assiste impotente aos fatos terríveis que fazem parte do dia-a-dia desta Idade da Kali Yuga. É como se vivêssemos numa constante contradição, na qual tendo todas as possibilidades espirituais, científicas e tecnológicas de sermos mais felizes como espécie, vivemos o constante risco de perder todo o caminho percorrido na nossa longa evolução humana. Vivemos cada vez com mais medo. Aliás, pensei, medo parece ser a palavra síntese desta época. Medo do futuro e medo do presente. Será esse nosso medo uma intuição coletiva do possível desvio do qual Tanaim me tinha advertido?
Tanaim tinha razão: unirmos como espécie para abreviar os tempos do fim era realmente urgente. Mas como convencer a todos dessa urgência? Como explicar essa “irracional” possibilidade anunciada por Jesus Cristo? Finalmente, como é que eu ajudaria a evitar o risco de um novo desvio e retrocesso evolutivo, apenas lembrando aos meus semelhantes o passado esquecido da humanidade e a história e o poder do Eneagrama e do Código de Thot? E se minha experiência tivesse sido apenas uma ilusão?

7 - Um Belo Sonho


“— Agora [ele] esta sonhando. Com quem sonha? Sabes?
— Ninguém sabe.
— Sonha contigo. E se deixasse de sonhar, o que seria de ti?
— Não sei.
__ Desaparecerias. És uma figura de um sonho. Se esse rei despertasse, tu te apagarias como uma vela.”
Lewis Carroll, em Aventuras de Alice através do espelho.


Já deitado não conseguia dormir. O pensamento voltava uma e outra vez às mesmas questões. Dei-me conta que estava ansioso pelo prometido novo encontro com Tanaim. Fechei os olhos, deliberadamente relaxei e decidi que isso somente aconteceria se fosse real sua existência. Apenas esperaria. Enquanto relaxava e quase sem perceber como, veio à minha memória um belo sonho de infância. Devia ter uns 5 anos e estava na enorme casa de meu avô. Sonhava com um ser luminoso, de aspecto sábio e bondoso que descia do espaço.
— Te levarei a conhecer as esferas do céu... — disse-me amoroso.
Então, tomava minha mão e, de repente, voando, eu via todas as estrelas como esferas luminosas passando perto de mim no espaço infinito. Sentia tanta alegria! Aquele ser sorria feliz ao ver que eu estava tão contente entre as esferas do céu! Era estranho, mas Tanaim me lembrava tanto aquele ser!
Sorri ao lembrar a figura amável do meu amigo guia e acho que foi assim que dormi, invocando seu nome.
***

Acordei repentinamente sentindo uma estranha sensação corporal como de formigamento, estranha, porém agradável, como uma espécie de estática na minha pele toda. Olhei mecanicamente o meu relógio despertador: eram 3 horas e 12 minutos da madrugada (você compreenderá mais adiante por que faço constar este dado com tanta exatidão). Sentia que algo estava por acontecer, pois a estranha sensação corporal continuava. Era como se estivesse saindo do meu corpo. “Será este estado o limiar para entrar naquela outra dimensão?”, pensei, enquanto surpreso e fascinado começava a flutuar no espaço guiado por uma invisível e amorosa força.

8 - O Portal Dimensional

— “Que está dizendo? Eles modificaram a geometria do espaço?”.
— “Foi. Estamos dizendo que o espaço não é conectado, topológicamente de maneira simples.

É como... sei que Abonnema não gosta dessa analogia... é como uma superfície bidimensional plana. O plano 1 está ligado, através de tubulações complicadas, a outra superfície bidimensional, o plano 2. O único meio de passar do plano 1 para o plano 2, em tempo razoável, é através dos tubos...”Carl Sagan
(Nota de pé de página: No livro “Contato”, p.333 –Ed. Companhia das Letras, 1997).


Uma suave luz se expandia pelo infinito quando ouvi a voz inconfundível de Tanaim:
— Até que chegou mais rápido desta vez! — me olhava como se estivesse avaliando minha chegada no seu nível espaço-temporal. — Esperava por você!
— Hoje senti que o veria novamente e não sei nem como estou aqui agora! — respondi admirado com a naturalidade desse nosso segundo encontro. — É... Incrível... — ele sorriu satisfeito.
— Sentiu porque eu me comuniquei com você. Mas falaremos disso numa outra oportunidade. Tenho uma surpresa para você! A gente vai viajar hoje.
— Viajar? Aonde iremos Tanaim? — perguntei intrigado.
— Conhecerá uma outra dimensão espaço-temporal na qual um planeta e seus habitantes estão prestes a viver uma extraordinária modificação existencial... Está pronto, meu amigo?
— Bom... gostaria de fazer algumas perguntas antes de... — não consegui concluir. Tanaim fitou-me de um modo particular:
— Perguntas deverão esperar. Temos que aproveitar este momento... Está vendo essa luz azul e brilhante na nossa frente?
Eu tinha reparado nela ao chegar ao encontro de Tanaim. Aquela luz se movia diante de nós como uma espiral vibrante e não queimava apesar de ser tão forte.
— É nosso portal-dimensional. Vamos! — me estendeu sua mão e de repente estávamos no meio daquele vórtice de luz, viajando na espiral vibrante do Cosmo, em meio às esferas dos céus... tal como naquele precioso sonho de infância.


9 - O Planeta Octor

“Deves conhecer, também... esse planeta extraordinário, porquanto os seres que o povoam são considerados, em todas as partes do nosso Grande Universo, como o ideal perfeito dos seres tri-cerebrais com inumeráveis formas de revestimento exterior... Esse planeta... pertence ao sistema do Protocosmos (...) Está povoando de seres (...) seu aspecto exterior se assemelha muito ao nosso...” G.I. Gurdjieff; Em relatos de Belzebu a seu neto.

“No Brahamajyoti (o céu espiritual) existem inumeráveis planetas espirituais. O número destes planetas é muito, muito maior que o de todos os planetas deste mundo material. Neste segmento material há milhões e bilhões de universos com trilhões de planetas e sóis, estrelas e luas. Mas toda esta criação material é apenas um fragmento da criação total. A maior parte da criação está no céu espiritual. Aquele que deseja fundir-se na existência do Brahman Supremo é transferido imediatamente ao Brahmajyoti do Senhor Supremo e deste modo alcança o céu espiritual...” Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

“Pela primeira vez na história da exploração espacial, pesquisadores dos EUA descobriram a existência de um sistema planetário semelhante ao Sistema Solar... A descoberta... [pode] indicar também que, no Universo, o número de sistemas planetários múltiplos pode ser muito maior do que o estimado. A estrela desse novo sistema é a Úpsilon de Andrômeda... a cerca de 44 anos-luz da Terra... os dois planetas mais distantes estão em uma região habitável...” Folha de São Paulo (16/04/99)

Estávamos em um dos planetas superiores localizados numa das dimensões mais próximas ao nosso Sistema Solar e reparei, surpreso, que nossos corpos astrais tinham ali uma densidade semelhante aquela de nossos corpos físicos na Terra. Tanaim me explicou a razão.
— Este é o planeta Octor, meu querido filho, um planeta de evolução superior. O que na Terra seria para nós algo sutil e quase invisível, aqui se torna concreto e tangível. Sua luz, sutileza e harmonia são um anúncio do que será a Terra nesse futuro alternativo do qual você foi testemunha no nosso primeiro encontro...
Amanhecia naquele mundo e, durante alguns minutos, ficamos olhando a peculiar paisagem octoriana e sua rara beleza. O sol nascente descobria as cores daquela exótica vegetação e o ar puro trazia até nós seus suaves aromas. Impressões e sensações desconhecidas penetravam minha alma e me sentia como quando somos crianças e ficamos fascinados ante cada nova revelação da existência.
— Por que estou aqui, Tanaim? — perguntei como quem pensa alto.
— Você está aqui, em primeiro lugar, para ser testemunha da extraordinária transformação evolutiva que este planeta e seus habitantes viverão em breve — respondeu meu guia e, após ficar calado alguns instantes, acrescentou: — Em segundo lugar, porque as revelações acerca da origem do Eneagrama e do Código de Thot, assim como as relacionadas com a nossa evolução, lhe serão feitas por alguém deste mundo que deseja conhecê-lo por uma razão exata.
Eu não entendia aquilo. Por que alguém desse mundo ia querer me conhecer?
— Tenha calma, compreenderá tudo no seu devido tempo.
Fez-me um sinal e agregou com suavidade:
— Agora, siga-me.
Minha curiosidade aumentava junto com a confusão dos meus pensamentos.

10 - A Mente é Mais Veloz que a Luz
“Sedes perfeitos assim como o meu Pai nos céus é perfeito”
N. S. Jesus Cristo.

Avançamos até uma colina da qual era possível ter uma ampla visão da paisagem octoriana. Tanaim fechou os olhos e levantando o braço esquerdo fez um estranho movimento com a mão. Ficou imóvel durante alguns minutos na mesma posição. Imaginei que estivesse se contatando telepaticamente com alguns habitantes daquele mundo. Não estava equivocado. Após alguns instantes, duas espécies de naves, extremamente luminosas e de formas ovóides, apareceram como saídas do nada. Tanaim me explicaria mais tarde que essa minha impressão delas terem aparecido como do nada, era conseqüência de uma extraordinária descoberta feita pelos eco-cientistas octorianos: a mente era muito mais veloz que a luz e produzia, como esta, uma energia extraordinária e quase inesgotável que eles conseguiram canalizar para diversas aplicações. Assim, a velocidade inimaginável atingida por aquelas naves era apenas um dos resultados tecnológicos dessa extraordinária descoberta. Nelas pode-se viajar de um ponto a outro desse planeta em apenas alguns segundos e também a diferentes níveis dimensionais e espaços - tempos diversos em apenas alguns dias ou minutos. Cinco octorianos desceram, nos convidando a subir numa delas e reparei, surpreso, que Tanaim era conhecido e profundamente respeitado por eles. Os corpos daqueles seres, ainda que semelhantes aos nossos, tinham diferenças notáveis. Belos e com uma estatura média de 2 metros, possuíam a simetria das esculturas com as quais os gregos tentaram simbolizar a perfeição de seus deuses. Chamou especialmente minha atenção a peculiar formação craniana na qual se destacava um maior desenvolvimento da zona frontal desconhecido entre nós. Suas presenças irradiavam luz e harmonia e seus olhares pareciam penetrar nossas almas além das aparências. Após termos sidos devidamente acomodados, a nave iniciou sua viagem e, em apenas alguns segundos, chegamos ao nosso destino.


***

11 - Satlam

“Os Portões do Céu estão abertos para ti;
As portas do Lugar Fresco estão abertas para ti.
Tu encontrarás Ra parado ali, esperando por ti.
Ele tomará tua mão. Ele te levará para o Duplo Santuário
do Céu;
Ele te colocará no trono de Osíris...
Tu ficarás em pé, amparado, equipado como um deus...
Entre os Eternos, na Estrela Imorredoura.”
Fragmento do “Texto das Pirâmides”

Nunca esquecerei o impacto que provocou em mim aquela gigantesca cidade flutuando a mais ou menos 1.200 metros da superfície do planeta. Nela, milhares de octorianos realizavam suas rotineiras e pacíficas atividades, num clima harmonioso e feliz.
Sem dúvida, Satlam era uma das mais maravilhosas megápoles-levitantes de Octor. Ao vê-la pairando silenciosa acima de uma das preciosas florestas - parques daquele mundo superior, compreendi que os octorianos tinham alcançado não somente grandes avanços científicos e tecnológicos, mas principalmente, tinham conquistado a virtude de conviver em completo equilíbrio com todas as formas de vida.
Após descer numa das pistas aéreas disponíveis, fomos conduzidos até um amplo salão octogonal localizado num dos 9 Níveis Sinérgicos do Décimo-Setor-Estrutural satlanense. Três seres de nobre aparência receberam Tanaim com alegria, o qual me apresentou como um “novo viajante na Luz Uma”. Devo esclarecer que eu podia entender e falar claramente o precioso idioma mantrico dos octorianos em virtude de um microscópico tipo de “chip” — aderido ao meu canal auditivo após a chegada a Satlam —, o qual o decodificava e traduzia instantaneamente na área da linguagem do meu cérebro. Afastando-se alguns metros de mim, os três seres e meu guia iniciaram uma longa conversa. Percebi que Tanaim falava de mim, pois, a cada certo tempo, ele e os octorianos olhavam na minha direção com muita atenção. Ao concluir nossa “recepção”, os três seres, desmaterializando-se, abandonaram o local deixando-nos sozinhos. Eu estava como que hipnotizado. Meu cérebro, em choque, tentava “aceitar” uma realidade que não estava registrada na sua limitada “programação” terrestre. Sentindo-me tremendamente pequeno perante aquela manifestação superior de existência, percebia a enorme distância evolutiva que nos separava de toda aquela incrível civilização. Sua grandiosidade provocava-me, por instantes, um misto de medo e admiração quase primitivos. Como descrever o que acontecia dentro de mim diante daquelas maravilhas que nem sequer o melhor dos nossos escritores de ficção científica imaginaria existir?
Tudo tinha acontecido tão rapidamente. Conhecer o meu guia, conhecer esse modo de viajar no astral, através de “portais-dimensionais” a uma velocidade maior que a da luz, sem usar nenhuma nave espacial e estar naquele mundo superior era maravilhoso, indefinível e inefável.
Tanaim esperou que passasse esse choque inicial com sua habitual serenidade. Talvez como um efeito colateral desse meu estado alterado de consciência, percebi, de repente, que havia algo de familiar nele, algo que não tinha reparado antes e que me fazia sentir um misto de amor e segurança. O que era esta nova impressão? Sua presença era tão valiosa e necessária naqueles instantes, que num impulso repentino o abracei com carinho e gratidão. Já não havia mais dúvida em mim... Tudo era real nesse novo estado além dos meus longínquos e irreais sonhos! Então, ele me disse:
— Como o esperava, tardou mais que outros eleitos a sentir o impacto desta experiência, e isso, somente graças à sua força interior — retribuía meu abraço com fraternal carinho. - Fique calmo... Tudo está bem agora. — Afastou-me suavemente e acrescentou: — Alguns sentem esse choque após o primeiro contato e até demoram muito a voltar ao total equilíbrio psico-astral. Você, pelo contrário, se recuperou rapidamente. Calma — repetiu — calma, você logo há de saber o “porquê” de tudo o que está vivenciando aqui... Pronto para mais experiências? — deslizava suas mãos com suaves movimentos circulares através de todos os meus chakras, revitalizando aos poucos meus vórtices de energia astral. Assenti agradecido e nos dirigimos até uma espécie de enorme varanda giratória, de onde se podia contemplar, em todo o seu esplendor, a beleza daquele mundo, assim como algumas das vizinhas cidades-levitantes. Tanaim me explicou que essas cidades eram construídas tendo em conta o equilíbrio psicofísico de seus habitantes, mediante a combinação sábia de materiais e de uma diversidade de vibrações positivas geradas pelas formas, cores e volumes dos seus diversos ambientes e amplos espaços urbanos. Tudo ali obedecia a exatas medidas áureas, conscientemente aplicadas pelos eco-arquitetos e eco-engenheiros daquele planeta.
Fora isso, Octor não estava dividido em países e seus habitantes — que falavam um único idioma — viviam em fraterna unidade, governados por um grupo de sábios responsáveis pelo bem comum do planeta e de todas suas formas de vida, sem distinção. Mas não vou detalhar todos os avanços que observei naquele mundo. Seria impossível e inútil até pela minha incapacidade conceitual e técnica para tal. Em resumo, só posso dizer que eles tinham conseguido tudo aquilo que para nós é apenas uma utopia, talvez porque além dos seus avançados conhecimentos e tecnologias, estavam unidos. Tanaim me prometeu, em função do meu interesse, que numa outra oportunidade me levaria para conhecer outros dos avanços daquele mundo, antes que acontecesse o que ele chamava de “o translado total ao nível Quinto” de toda aquela avançada civilização, solicitando-me que não fosse tão curioso no momento.


***

12 - Novas Revelações

“Talvez estejamos aqui apenas para dizer casa, ponte, poço, jarro, oliveira, janela – no máximo, pilar, torre... mas dizê-las, lembra-te, dizê-las de uma maneira que as próprias coisas nunca sonharam que pudesse existir tão intensamente” Rainer Maria Rilke

— Agora devo explicar-lhe um pouco mais a sua missão como eleito — respirou fundo e após um breve silêncio disse: — Sei que ainda não ficou muito claro — continuou e me fez um sinal para que sentássemos.
— No final, gostaria de compreender melhor como é que apenas escrevendo sobre estas coisas, eu virei a colaborar para que os tempos do fim sejam abreviados na prática — perguntei sem poder disfarçar meu ceticismo.
Tanaim percebia isto e esboçando um dos seus belos sorrisos me respondeu:
— É simples. Veja. Cada um dos eleitos é capaz de visualizar diferentes faces da realidade superior segundo seu nível consciêncial e conceitual. Conseqüentemente, cada uma dessas diferentes faces é uma peça a mais do complexo quebra-cabeça evolutivo da nossa espécie. Seus relatos, por exemplo, provocarão certas lembranças, intuições e sentimentos elevados naqueles que estão preparados para completar este quebra-cabeça. Digamos que você lhes ajudará a lembrar o futuro, lembrando do passado! Atos são produtos de sentimentos e quando você acorde neles tais sentimentos, muitos começarão a agir de uns modos novos, amorosos e especiais que ajudará a promover essa união que virá a abreviar os tempos do fim.
Tanaim olhou à sua volta e senti que o que estava por acontecer naquele planeta o deixava especialmente alerta e sensibilizado.
— Outros eleitos— continuou — conhecem e descobrirão novas peças. Alguns já estão canalizando essas novas descobertas. Todos esses dados e informações - fragmentos estão relacionados com o propósito de abreviar os tempos do fim. Assim, o objetivo de evitar o desvio para um momento-alternativo inadequado e destrutivo para nossa espécie terá maiores possibilidades de ser atingido. — Observei que seus olhos brilharam cheios de esperança ao expressar estas palavras.
— Graças às suas revelações e às que outros eleitos farão na sua época, milhões de pessoas, ao redor de todo o mundo, serão motivadas a transformar-se em seres cada vez mais conscientes da Unidade de Todas as Coisas. Assim, a compreensão profunda das razões pelas quais nossa espécie fracassou no passado, será relembrada. Então, meu filho, milhões de indivíduos compreenderão que os fracassos do passado foram produtos de um mesmo e grande erro: o sentimento de separatividade, ou seja, a incapacidade de ver as ligações existentes entre todos os seres e todas as coisas. Somente então, novas possibilidades evolutivas serão, de certa maneira, pressentidas e intuídas por muitos na Terra, surgindo assim novas formas de lidar com os desafios emergentes da sua época. Visões cada vez mais esclarecidas da realidade tal qual ela é permitirão descobertas e soluções inovadoras para os atuais problemas e crises enfrentadas por sua civilização. Aos poucos, todas as novas descobertas, dados e informações se unificarão, complementando-se. Unidos pelo ideal da Unidade de Todas as Coisas, vocês poderão, finalmente, planejar e organizar as ações que evitarão e neutralizarão todos os desvios evolutivos possíveis. Porém não será uma tarefa fácil. Todos deverão estar preparados para enfrentar grandes obstáculos e forças contrárias a essa sagrada missão. Lembre que tudo o que estou lhe dizendo é apenas uma possibilidade no conjunto dos futuros alternativos. Afinal, nem todos, neste vasto Universo, estão interessados em que nossa espécie progrida. Temos que vencer grandes opositores, muitos deles velhos inimigos ignorados pela humanidade e ansiosos de vingar-se daqueles que, no passado, os derrotaram — concluiu e, intuindo que eu queria saber mais acerca desse novo e inusitado tema, me disse enigmático:
— Chega destas revelações por enquanto, meu querido. Esse alguém, que habita neste mundo e que deseja conhecê-lo, lhe mostrará este e outros assuntos!

Enquanto nos dirigíamos a um outro nível daquela bela cidade levitante, pensava por que Tanaim tinha me dito que aquele misterioso alguém iria me mostrar esses e outros assuntos. Não teria sido mais correto dizer “lhe informará sobre estas questões?” Detive o divagar da minha mente quando contemplei fascinado o instante em que, através de um portal dimensional de cor amarela, que surgiu de improviso a alguns metros frente a nós, um grupo de alegres octorianos voltava de uma agradável viagem espacial.

13 - Os Mediators

“— Eu, por exemplo, que existo há tantos anos no Universo, jamais pensei que, talvez, tivesse existido um tempo no qual tudo o que vejo, tudo o que possuo não existisse [...]. E agora, amado avô, [...] tomei consciência disto na minha presença inteira, e sinto a necessidade de compreender a razão pela qual estes confortos, [...] me foram dados [...] e a quais obrigações me compromete isso [...]”
Belzebu, olhando-o com carinho, respondeu-lhe:
— “Te aconselho, meu querido Jassin, que não te faças tais questionamentos. Tem paciência. Quando for o momento certo [...] refletirás ativamente e compreenderás o que deverás fazer em troca. Ainda não estás obrigado, na tua idade, a pagar pela tua existência.” G.I. Gurdjieff

As palavras de Tanaim possuíam uma vibração tão poderosa que tive certeza de que jamais as esqueceria. Apesar de não conseguir compreender tudo o que me revelavam, especialmente o relativo à suposta conspiração invisível contra nossa espécie, intuía que seria inútil querer saber mais sobre isso naquele momento. Decidi, esperar pelo encontro com esse anunciado alguém e levantar apenas questões relacionadas com a minha missão.
— Significa que fui eleito para agir como uma espécie de canal?
— Sim. Aliás, cada ser humano que, como você, ame seus semelhantes, tem hoje a mesma possibilidade de se transformar num canal ativo do Bem que está por vir — reparei que ele enfatizara as palavras “possibilidade” e “canal ativo”.
— A estes seres humanos — continuou —, nós chamamos Mediators. Assim, todo eleito é um Mediator, ainda que alguns o sejam inconscientemente ou apenas potencialmente por enquanto. Eles são como pontes entre os planos superiores e inferiores, entre os níveis de maior e menor consciência. Seu número está aumentando, atualmente, no seu “espaço-temporal alternativo...” Sim, você é um Mediator. — respondeu Tanaim fitando-me com uma expressão de absoluta certeza.
— Foi sempre assim? Sempre existiram os Mediators? — perguntei, ansioso por ouvir mais a respeito.
— Sim, sempre foi assim — respondeu olhando para o infinito como se lembrasse de muitos casos especiais. — Inspiramos e trabalhamos com alguns deles desde nossa dimensão no futuro, há séculos. — suspirou e em seguida acrescentou: — Existem “Mediators” de diferentes graus e níveis. Os mais importantes, ou seja, os dos Níveis Quinto ao Sétimo são chamados por vocês de “profetas” “iluminados”, “visionários” e “gênios”. Esses foram e são alguns dos nomes dados em todas as épocas àqueles seres humanos aos quais, em virtude dos Nove tipos de canalização e inteligência superior que desenvolvem, lhes é permitido ultrapassar diversos portais dimensionais e experienciar novos momentos-alternativos. Alguns foram reconhecidos entre vocês como grandes pensadores e inovadores capazes de mudar paradigmas que até antes das suas existências pareciam absolutos. Muitos foram aceitos nas suas épocas e suas descobertas têm sido benéficas para todos. Outros sofreram porque foram incompreendidos por seus contemporâneos, sendo tratados como se fossem malucos ou sonhadores, iludidos por fantasias. Alguns foram até perseguidos, torturados e mortos, sem nunca chegar a ver os resultados positivos de suas descobertas e trabalhos. Ainda assim, todos eles conseguiram semear na memória coletiva da espécie os ‘dados’ necessários para favorecer o contínuo progresso espiritual e material da espécie humana. Às vezes, alguns deles conseguiam “processar” esses “dados” de maneiras insuspeitadas graças ao alto desenvolvimento de suas capacidades emocionais, mentais e intelectuais. Porém nem sempre suas descobertas foram bem utilizadas. O conhecimento é um poder neutro. Com ele acontece o mesmo que com o que vocês chamam dinheiro. Seu bom ou mau uso depende de quem o possui. Enfim, desde este ‘futuro-alternativo’ que é nosso “presente”, nós estamos influindo sempre, consciente e deliberadamente, para que todo o conhecimento necessário para a evolução da nossa espécie não se perca, para que vocês o possuam sempre ou voltem a possuí-lo, resgatando-o do esquecimento quando a ignorância e a separatividade toma conta dos seus semelhantes.
Tínhamos chegado até um grande salão luminoso e amplo, no qual algumas famílias e casais octorianos conversavam animados sobre a futura transformação daquele planeta. Respirava-se uma atmosfera de plena harmonia. Após sentarmos numas agradáveis poltronas de material desconhecido, as quais se adaptavam automaticamente às nossas medidas e movimentos, e olhando pelas amplas janelas daquele local os belos arredores de Satlam, perguntei:
— Essa influência tem algo a ver com o plano de abreviar os tempos do fim?
— Sim. — respondeu meu guia — Essa nossa maneira de influir faz parte, também, do plano para abreviar os tempos do fim que Jesus Cristo e outros Enviados já conheciam, e que, como todos Eles ensinaram, se fundamenta na Lei da Unidade de Todas as Coisas, cujo único alicerce é o Eterno Amor Universal.
Lembrei os ensinamentos secretos relativos à milenar “transmissão” da chamada “Ciência Objetiva” a partir do “Governo Invisível do Mundo”, também conhecido como o “Centro Consciente da Humanidade”, que a conserva e que influi beneficamente na evolução da nossa espécie. O quebra-cabeça se completava aos poucos na minha mente.
— E acerca dos grandes inventos e tecnologias do meu tempo presente e a velocidade com que novas descobertas são realizadas, o que é que o senhor poderia me ensinar? — perguntei curioso.

14 - A Memória Coletiva.

“Quanto mais se aproxime do seu Protótipo no ‘Céu’, tanto melhor para o mortal cuja personalidade foi eleita — por sua própria Divindade pessoal (o Sétimo Princípio) — para sua mansão terrestre. Porque, a cada esforço de vontade no sentido da purificação e da união com esse ‘Deus Próprio’, um dos Raios inferiores se interrompe, e a entidade espiritual do homem é atraída cada vez mais para o alto, para o Raio que sucede ao primeiro, até que de Raio em Raio, o Homem Interno é absorvido no Raio Uno, o mais elevado do Sol-Pai” H.P.Blavatsky

— Logo saberá que alguns desses inventos e descobertas já existiram no “passado” e que outros foram “inspirados” pelo “futuro”. Direta ou indiretamente, e, através de certos “Mediators”, a informação chega a se transformar, em algum momento, num fato concreto, sempre o mais adequado. No seu “tempo-espaço-alternativo”, a velocidade de recepção da “informação” contida na “memória da espécie” passada e futura multiplicou-se. Por esta razão, se redescobre e se reinventa o que foi conhecido em épocas proto-históricas nos lendários continentes desaparecidos e se “inventa” o que se recebe desde nosso futuro. Sua época vive um momento de especial intensidade evolutiva e só a ignorância da “Lei de Unidade de Todas as Coisas” impede, ainda, a superação do que podem ser as causas do “desvio” desse futuro que neste “momento alternativo”, paradoxalmente, já existe.
Fiquei pensando nessa “memória coletiva” e em todos os que tinham trabalhado em diversos aspectos para que chegassem até nós os “dados” e “informações” que promoviam nosso avanço científico e espiritual. Compreendi que tudo quanto sabemos e temos à nossa disposição provém do amor, trabalho e esforço de alguns poucos que deixaram para nós uma herança preciosa de conhecimentos, frutos da razão e da intuição... seres do passado, do presente e do futuro trabalhando para o progresso de todos os seres humanos sem distinção de nenhuma espécie.
— Sim, querido filho, assim foi e assim será sempre.
Novamente meu guia falava como se meus pensamentos fossem palavras audíveis para ele. Começava a me acostumar a essa sua “clariaudiência-telepática”. Senti que ele queria me dizer outras coisas e esperei em silêncio. Fez-me um gesto para segui-lo e nos levantamos das nossas confortáveis “poltronas” octorianas. Começamos a caminhar pelo agradável terraço panorâmico daquele formidável salão e após uns instantes Tanaim continuou:
— Esse fenômeno, cuja manifestação chamamos “memória coletiva da espécie”, implica muitas conseqüências lógicas. A principal é que, em virtude da sua existência, cada ser humano possuidor de determinada capacidade consciêncial se torna automaticamente responsável pela sua qualidade e continuidade. Por sua vez, a existência dessa “memória coletiva” também é devida à “Lei de Unidade de Todas as Coisas”. Ou seja, é graças ao Amor que a memória de todas as coisas existe, e, justamente por esta causa, o conhecimento atingido por seres conscientes jamais morre porque está protegido pelo Amor. De alguma maneira, o conhecimento está sempre presente nas camadas superiores da nossa Consciência Coletiva. Em algumas épocas, o retrocesso evolutivo resultante das condições erradas de vida dos seres humanos provoca seu esquecimento; em outras, mais apropriadas ao exercício das faculdades emocionais e cerebrais superiores, o conhecimento volta através da energia-mente, utilizando como canais aqueles Mediators mais preparados que o revelarão ou aplicarão novamente. Assim, se redescobre o conhecimento acumulado durante séculos e se somam a ele aqueles novos dados e descobertas que nunca poderiam existir se não fosse o acúmulo sinérgico de todas as experiências gravadas na nossa milenar memória coletiva. Na verdade, não existem inventos ou descobertas que possam merecer esse nome, porque o conhecimento é fruto de uma longa cadeia de experiências e aprendizados refletidos e gravados, de acordo com a Lei do Carma, na atividade sigilosa do ADN humano. Sim, O ADN é o canal biofísico da nossa memória coletiva. Naqueles que atingem certos níveis de amor e consciência, essa memória se torna ativa, graças à autolembrança e à auto-observação, no momento certo, com propósitos definidos e sempre benéficos para todos. A partir desse ‘resgate-memorial’ e graças às leis da herança, nós, humanos, conseguimos continuar nossos avanços como espécie inteligente, do mesmo modo que a combinação planejada e constante dos materiais adequados e criados para sua construção, permitem materializar os projetos de um arquiteto. Quando esse conhecimento desaparece, como conseqüência das guerras mais destrutivas ou das mega catástrofes cíclicas, naturais ou provocadas pelos nossos inimigos ‘invisíveis’, ou pelo mau uso das descobertas e inventos, ou ainda, pela destruição ignorante do equilíbrio natural ou pela combinação terrível de todos estes fatores, nossa espécie vive longos períodos de barbárie, ignorância e obscurantismo, até que condições gerais mais apropriadas permitem, novamente, o resgate de tais conquistas preciosas. Essa tem sido nossa história, meu filho, conhecida e desconhecida, com seus altos e baixos evolutivos. Apesar de tudo e, paradoxalmente, nunca temos deixado de progredir, porque, graças à unidade e ao amor dos Mediators, sempre podemos voltar a resgatar nossas conquistas e continuar subindo pela difícil e cíclica espiral evolutiva a partir do ponto no qual nos detemos.
O rosto de Tanaim tinha uma expressão de paz enquanto dizia estas coisas. Logo, voltou a repetir:
— Nesse “momento-alternativo-presente”, vocês devem corrigir urgentemente seus atuais modos de agir e pensar em relação à natureza; devem unir-se e reavaliar, criticamente, suas ‘metas’ e ‘objetivos’ para benefício do Todo e de todos e não apenas de algumas minorias. Vocês devem compreender que o sofrimento de muitos retardará a realização de todos.
Tanaim se deteve e tive a certeza de que percebia melhor o que era esperado de mim e de todos os eleitos... Era algo assim como a “Teoria do Centésimo macaco”, pois se conseguia compreender e processar tudo o quanto me estava sendo revelado, muitos outros seres humanos conseguiriam também. Era uma grande oportunidade para pagar parte da minha dívida com a existência.

Uma suave brisa me fez respirar profundamente. Senti os deliciosos aromas que exalavam dos diversos tipos de flores cultivadas naqueles exóticos jardins públicos de Satlam.
Tanaim me fez um gesto para que o seguisse até alguns metros de uma nave octoriana que, segundos antes, tinha chegado aparentemente destinada a nos servir de transporte. Não estava equivocado. Éramos esperados por dois octorianos que nos fizeram um sinal para abordá-la. Embora soubesse que naquele mundo o meu corpo astral não sofreria, numa potencial queda, como o meu corpo físico, não posso negar que, por mecanicidade, tive um certo temor, ao passar do deck para o interior daquela preciosa nave, especialmente após observar, apreensivo, os mais de mil metros de altura que nos separavam da superfície daquele planeta.
Quando a nave iniciou seu vôo, senti que ia ao encontro mais importante da minha vida. Conheceria, por fim, aquele misterioso octoriano do qual Tanaim falara de um modo tão especial e saberia por que ele queria me conhecer.
Anoitecia em Octor.

15 - Anthor

“Ver o Mundo num grão de areia.
E o Céu numa flor silvestre.
Ter o infinito na palma da mão.
E a Eternidade numa hora”
William Blake

O sereno céu estrelado daquele setor do Cosmo podia ser contemplado em todo seu esplendor, através das amplas janelas curvas daquela abobadada espécie de sala de estar octoriana. Enquanto esperávamos nosso anfitrião, Tanaim me indicou certo “mecanismo luminoso” nelas existente, o qual, mediante sua manipulação, permitia a obtenção de visões telescópicas das constelações e estrelas que eu desejava ver em detalhes. Distraído com essas visões celestes não percebi quando o octoriano apareceu na sala.
— Tanaim, meu querido amigo! — exclamou abraçando o meu guia. — Vejo que não perde tempo na preparação do nosso eleito!
Sua aparência bela, serena e majestosa, chamou imediatamente minha atenção.
— De jeito nenhum, sábio Anthor! Quando seu convite chegou, decidi trazê-lo de imediato, ainda que isso significasse para ele uma experiência, inesperada e surpreendente, da qual ainda se recupera.
Anthor se aproximou e me abraçou em silêncio. A vibração de familiar alegria que minha presença lhe causara atiçou ainda mais a minha curiosidade de saber por que ele queria me conhecer. Após nos refrescarmos com uma deliciosa bebida, a qual, diga-se de passagem, me provocou um estado misto de alerta e relax muito especial, Anthor nos convido para que nos sentássemos perto dele e comentou detalhes “técnicos” da próxima transformação daquele planeta. O respeito e carinho com que ele e Tanaim se tratavam chamavam poderosamente minha atenção. Como e quando se teriam conhecido? Quais seriam as outras surpresas das quais estava sendo poupado no momento? Não tive tempo de perguntar, porque após alguns minutos, Anthor nos levou até um salão circular, em cujo centro se destacava uma brilhante esfera que chamou poderosamente minha atenção. Percebi que essa esfera devia servir a propósitos definidos, já que, quando o octoriano dela se aproximou, sua superfície se iluminou, seguramente ativada pela sua presença. Não estava equivocado.
— Já era tempo de que ele participasse das lembranças de quem conhece em detalhes a história do Eneagrama, do Código de Thot e do nosso mundo — comentou Tanaim, olhando em volta com um gesto de aprovação, enquanto sentava onde Anthor lhe indicava.
— Com sua ajuda será mais fácil. — respondeu gentilmente o octoriano. — Por acaso já revelou a ele a razão do meu interesse em conhecê-lo pessoalmente? — perguntou, observando-me detidamente. Tanaim negou com um movimento de cabeça:
— Demasiadas surpresas num só dia talvez não sejam convenientes, meu querido amigo! — Ambos sorriram após esse provocante comentário do meu guia.
Anthor mexeu num objeto, quase do tamanho de um botão, que tinha sobre sua mão esquerda, o qual flutuando no ar se encaixou perfeitamente numa imperceptível abertura daquela esfera central, que começou a vibrar silenciosamente. Esse pequeno objeto, soube mais tarde, feito de diversas densidades de mente-luz, era um “Canalizador”, espécie de nexo entre ele e a esfera que não era outra coisa senão um avançado “computador” acionado mentalmente pelo seu evoluído usuário. Quando a luminosa esfera iniciou aquele sutil processo vibratório, ambos se olharam em silêncio. Tanaim fez um gesto de afirmação. Tudo estava pronto. Algo parecia penetrar minha mente. Lembro que não opus resistência.

***

16 - O Cérebro não é a Mente

“Tudo depende da memória. Não se começa por aprender, mas pelo relembrar. A distância entre a existência infinita e as diversidades da vida nos fazem esquecer. Por esta razão, Deus ordenou: Lembra!”
Hakki, Mestre sufi

A luz lilás provinda da aura de Anthor provocava em mim um estado de alerta consciêncial elevadíssimo. Estava sendo preparando para testemunhar e aprender algo muito importante e intuía, que a partir dessa experiência ficariam claros diversos e complexos ensinamentos iniciáticos recebidos no passado. De repente, comecei a relembrar o que tinha aprendido com meu Mestre acerca do processo de aprendizado consciente:
— A compreensão é o resultado da união do intelectual e do emocional. Esta é a união “alquímica” que provoca as transformações reais e totais. Até não compreender, você não sabe. Apenas acumulou mais dados no seu cérebro. O processo de aprendizado consciente é a chave dessa memória que não depende apenas do cerebral.
Existem, portanto, dois modos de aprender. Um deles é temporal, irreflexivo e adquirido mecânica e inconscientemente. É o modo como se educa a maioria. Os dados assim obtidos não têm maiores conseqüências nas suas vidas. São “mortos”. Porém o aprendizado consciente é atemporal em seus efeitos e conseqüências. Nele participa o verdadeiro Eu. Sendo assim, aprenda sempre conscientemente. Reflita e processe os dados obtidos através de seu intelecto até que os sinta no seu coração. Faça isto sempre e deliberadamente, porque sua mente não é o cérebro, assim como o programador não é o computador.
Assim você se lembrará sempre e em cada existência e, algum dia, unir-se-á, à Grande Memória Cósmica e terá todas as lembranças que o Ser possui. Os cérebros são bilhões e de todos os tipos, mas a Energia-Mente é Uma.
Lembre-se disto: a Mente é Uma, os ‘terminais’ somos muitos!

***

O fluxo de meus pensamentos começou a ser interrompido lentamente.
— Ouça. Até hoje só tinha captado sua presença graças a Tanaim e a um outro motivo que lhe revelarei oportunamente. — Apesar de minha curiosidade por saber de imediato esse outro motivo, Anthor fez um gesto e continuou dizendo: — Nessas ocasiões sondei seu mundo interno e soube, então, de seus esforços por atingir níveis superiores de consciência. Sim, sei mais de você do que você pode imaginar... Está observando minhas mudanças exteriores?
Assenti maravilhado em poder apreciá-las tão naturalmente. Anthor se tornava cada vez mais luminoso.
— Pois é, algum dia seus esforços evolutivos também terão estes maravilhosos resultados. Apenas persevere e jamais esqueça seu sublime objetivo porque, desta maneira, você e os demais eleitos realizarão o resgate da Lei da Unidade de Todas as Coisas que está contida no Eneagrama, e, então, transmutarão a Terra. Sim, algum dia, graças à aplicação consciente dessa Lei, seu mundo, igual ao nosso agora, poderá atingir este Nível Superior de existência do qual você é testemunha.

17 - Na Dimensão das Memórias Cósmicas

“O homem é um olhar, o restante é somente carne. Mas o verdadeiro olhar é aquele que vê ao Amigo. Funde teu corpo inteiro no teu olhar, olha em direção da visão, olha em direção da visão, olha em direção da visão”.
Rumi, Mestre Sufi.

A irradiação vinda do octoriano pulsava ritmicamente. Ondas dessa energia entravam através do meu plexo solar, provocando no meu peito uma agradável sensação de calor e amor. Anthor continuou dizendo:
— Saiba que o “Código de Thot” e o Eneagrama, cujos fragmentos você e outros Iniciados conhecem, fazem parte dessa Sagrada Lei cuja origem conhecerá agora. Ser-lhe-á revelado como é que ela foi ensinada em todos os planetas habitados, quando chegou a Terra e por que foi esquecida. Então, compreenderá por que são tão urgentes seu resgate e reatualização. Está pronto?
— Estou — respondi seguro.
— Vamos, então, penetrar na Dimensão das Memórias Cósmicas – a voz de Tanaim era suave e rítmica. — Relaxe, meu filho, relaxe profundamente. Fique apenas entregue e aberto para o que vai testemunhar.
O octoriano fechou uma vez mais os olhos e levantou sua mão esquerda fazendo um rápido e singular movimento com seus dedos. De repente, a esfera à nossa frente começou a expandir-se. Parecia feita de “cristal líquido” e nos envolvia como se fosse água. Em apenas alguns segundos estávamos “dentro” dela!
Uma voz disse:
— Bem-vindo à dimensão das Memórias Cósmicas.
Obediente às ordens telepáticas do octoriano, que manipulava sua energia com uma destreza extraordinária, algo naquela esfera provocou uma espécie de abertura astral na minha testa, e subitamente vi uma explosão de luz e imagens surgir desde o seu centro. Observei, atônito, que a esfera parecia não ter limites e perdi a noção de espaço e tempo, sentindo-me apenas como um ponto naquela imensidão infinita.
Logo senti uma agradável vibração, semelhante à produzida quando o sagrado mantra OM é cantado pelos corais místicos, porém sem interrupções, sem fim. Percebi um feixe de luz dourada vindo das profundezas da Dimensão das Memórias Cósmicas e, então, eles disseram:
— Que nossas lembranças sejam vossas lembranças, agora somos um...!