Livros e DVD - apocalipse 21
Parte II
A Viagem
“... iniciou-se uma discussão.
O tema era
a Travessia Noturna do Profeta Maomé.
Diz-se que naquela ocasião
o Profeta foi removido de seu leito
para as esferas celestiais [...]
viveu muitas... experiências,
sendo trazido de volta ao seu quarto
quando sua cama ainda estava morna.
Uma moringa cheia d’água que fora
derrubada e derramada
por ocasião do vôo celestial
ainda não esvaziara
quando o Profeta retornou [...]
Alguns sustentavam ser isso possível [...]
O Sultão afirmava ser algo impossível...”
Fragmento de um conto sufi extraído do livro
Histórias dos Dervixes Compiladas por Idries
Shah
6 - Reflexões e Perguntas
“Conheço um homem em Cristo que, há
quatorze anos, foi arrebatado ao Terceiro Céu
— se em seu corpo, não sei; se fora do
corpo, não sei; Deus sabe! — E sei que
esse homem... foi arrebatado até o paraíso
e ouviu palavras inefáveis, que não é
lícito ao homem repetir...” São
Paulo Apóstolo, na Segunda Carta aos Coríntios.
Tinham-se passado 40 dias desde o primeiro contato com
Tanaim. Estava em casa, finalizando um rotineiro relatório
de marketing no meu laptop quando, subitamente, senti
a estranha sensação de que ele estava
ali, observando-me. Instantaneamente comecei a relembrar
tudo o que ele me tinha dito dando início a uma
profunda reflexão acerca da minha condição
de eleito.
Um inesperado telefonema me fez voltar à realidade.
Haveria uma reunião com o diretor de marketing
e outros executivos da área, numa das empresas
para a qual prestava consultoria como especialista em
Eneagrama aplicado ás vendas. Uma nova campanha
publicitária seria iniciada. Minha participação
era importante para colaborar na análise dos
detalhes da mesma e na tomada de decisões junto
aos representantes e criativos da agência publicitária.
Porém essa estranha sensação de
Tanaim estar ali comigo continuava e não conseguia
pensar no assunto. Tinha certeza de que o anunciado
novo encontro estava por acontecer a qualquer momento.
***
Aquela noite, após preparar alguns assuntos relativos
à reunião do dia seguinte, desliguei meu
laptop e sai ao jardim para meditar. É tão
bom ficar apenas sentindo o Ser! À minha volta
todo o silêncio da floresta que rodeia nossa casa
somente era interrompido pelos diferentes barulhos noturnos.
Faltavam poucos dias para o mundo cristão celebrar
um novo Natal e, naqueles instantes, de comunhão
e centramento, a lembrança do nascimento de Jesus
Cristo e da sua sagrada missão me fez refletir
com mais intensidade nas palavras do meu guia do futuro:
É urgente abreviar os tempos de Kali Yuga. Sim,
é urgente. Todos sabemos disso, pensei. Talvez
seja por isso que em cada Natal a gente deseja, no profundo
dos nossos corações, que todas as formas
de miséria e injustiça acabem de uma vez
para sempre. No fundo, queremos um mundo melhor e queremos
ser felizes, simplesmente, porque algo no fundo de nos
sabe que isso é possível. Pensei que se
o amor dos eleitos fosse a causa dos Tempos do Fim serem
abreviados, então, o fato de nos esforçarmos
por amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso
próximo como a nós mesmos, nos daria o
poder necessário para transformar nosso mundo
doente num paraíso. Compreendia, apesar das minhas
dúvidas, que o que nos tornaria dignos de sermos
eleitos para essa empreitada, era apenas uma questão
de atitude e escolha interna. Uma escolha feita por
amor ao Superior e a nós mesmos, porque somente
amando a nós mesmos conseguiríamos superar
todos os nossos vícios, mentiras e medos. E não
são, por acaso, essas nossas trevas internas
que justamente nos impedem de amar aos nossos próximos?
Não é essa a causa de todos os nossos
males? Visualizei, então, o estado no qual se
encontra nosso mundo. Quantos paradoxos! Todos os dias
nos jornais, revistas e noticiários da TV a gente
lê, ouve e assiste impotente aos fatos terríveis
que fazem parte do dia-a-dia desta Idade da Kali Yuga.
É como se vivêssemos numa constante contradição,
na qual tendo todas as possibilidades espirituais, científicas
e tecnológicas de sermos mais felizes como espécie,
vivemos o constante risco de perder todo o caminho percorrido
na nossa longa evolução humana. Vivemos
cada vez com mais medo. Aliás, pensei, medo parece
ser a palavra síntese desta época. Medo
do futuro e medo do presente. Será esse nosso
medo uma intuição coletiva do possível
desvio do qual Tanaim me tinha advertido?
Tanaim tinha razão: unirmos como espécie
para abreviar os tempos do fim era realmente urgente.
Mas como convencer a todos dessa urgência? Como
explicar essa “irracional” possibilidade
anunciada por Jesus Cristo? Finalmente, como é
que eu ajudaria a evitar o risco de um novo desvio e
retrocesso evolutivo, apenas lembrando aos meus semelhantes
o passado esquecido da humanidade e a história
e o poder do Eneagrama e do Código de Thot? E
se minha experiência tivesse sido apenas uma ilusão?
7 - Um Belo Sonho
“— Agora [ele] esta sonhando. Com quem sonha?
Sabes?
— Ninguém sabe.
— Sonha contigo. E se deixasse de sonhar, o que
seria de ti?
— Não sei.
__ Desaparecerias. És uma figura de um sonho.
Se esse rei despertasse, tu te apagarias como uma vela.”
Lewis Carroll, em Aventuras de Alice através
do espelho.
Já deitado não conseguia dormir. O pensamento
voltava uma e outra vez às mesmas questões.
Dei-me conta que estava ansioso pelo prometido novo
encontro com Tanaim. Fechei os olhos, deliberadamente
relaxei e decidi que isso somente aconteceria se fosse
real sua existência. Apenas esperaria. Enquanto
relaxava e quase sem perceber como, veio à minha
memória um belo sonho de infância. Devia
ter uns 5 anos e estava na enorme casa de meu avô.
Sonhava com um ser luminoso, de aspecto sábio
e bondoso que descia do espaço.
— Te levarei a conhecer as esferas do céu...
— disse-me amoroso.
Então, tomava minha mão e, de repente,
voando, eu via todas as estrelas como esferas luminosas
passando perto de mim no espaço infinito. Sentia
tanta alegria! Aquele ser sorria feliz ao ver que eu
estava tão contente entre as esferas do céu!
Era estranho, mas Tanaim me lembrava tanto aquele ser!
Sorri ao lembrar a figura amável do meu amigo
guia e acho que foi assim que dormi, invocando seu nome.
***
Acordei repentinamente sentindo uma estranha sensação
corporal como de formigamento, estranha, porém
agradável, como uma espécie de estática
na minha pele toda. Olhei mecanicamente o meu relógio
despertador: eram 3 horas e 12 minutos da madrugada
(você compreenderá mais adiante por que
faço constar este dado com tanta exatidão).
Sentia que algo estava por acontecer, pois a estranha
sensação corporal continuava. Era como
se estivesse saindo do meu corpo. “Será
este estado o limiar para entrar naquela outra dimensão?”,
pensei, enquanto surpreso e fascinado começava
a flutuar no espaço guiado por uma invisível
e amorosa força.
8 - O Portal Dimensional
— “Que está dizendo? Eles modificaram
a geometria do espaço?”.
— “Foi. Estamos dizendo que o espaço
não é conectado, topológicamente
de maneira simples.
É como... sei que Abonnema não gosta
dessa analogia... é como uma superfície
bidimensional plana. O plano 1 está ligado, através
de tubulações complicadas, a outra superfície
bidimensional, o plano 2. O único meio de passar
do plano 1 para o plano 2, em tempo razoável,
é através dos tubos...”Carl Sagan
(Nota de pé de página: No livro “Contato”,
p.333 –Ed. Companhia das Letras, 1997).
Uma suave luz se expandia pelo infinito quando ouvi
a voz inconfundível de Tanaim:
— Até que chegou mais rápido desta
vez! — me olhava como se estivesse avaliando minha
chegada no seu nível espaço-temporal.
— Esperava por você!
— Hoje senti que o veria novamente e não
sei nem como estou aqui agora! — respondi admirado
com a naturalidade desse nosso segundo encontro. —
É... Incrível... — ele sorriu satisfeito.
— Sentiu porque eu me comuniquei com você.
Mas falaremos disso numa outra oportunidade. Tenho uma
surpresa para você! A gente vai viajar hoje.
— Viajar? Aonde iremos Tanaim? — perguntei
intrigado.
— Conhecerá uma outra dimensão espaço-temporal
na qual um planeta e seus habitantes estão prestes
a viver uma extraordinária modificação
existencial... Está pronto, meu amigo?
— Bom... gostaria de fazer algumas perguntas antes
de... — não consegui concluir. Tanaim fitou-me
de um modo particular:
— Perguntas deverão esperar. Temos que
aproveitar este momento... Está vendo essa luz
azul e brilhante na nossa frente?
Eu tinha reparado nela ao chegar ao encontro de Tanaim.
Aquela luz se movia diante de nós como uma espiral
vibrante e não queimava apesar de ser tão
forte.
— É nosso portal-dimensional. Vamos! —
me estendeu sua mão e de repente estávamos
no meio daquele vórtice de luz, viajando na espiral
vibrante do Cosmo, em meio às esferas dos céus...
tal como naquele precioso sonho de infância.
9 - O Planeta Octor
“Deves conhecer, também... esse planeta
extraordinário, porquanto os seres que o povoam
são considerados, em todas as partes do nosso
Grande Universo, como o ideal perfeito dos seres tri-cerebrais
com inumeráveis formas de revestimento exterior...
Esse planeta... pertence ao sistema do Protocosmos (...)
Está povoando de seres (...) seu aspecto exterior
se assemelha muito ao nosso...” G.I. Gurdjieff;
Em relatos de Belzebu a seu neto.
“No Brahamajyoti (o céu espiritual) existem
inumeráveis planetas espirituais. O número
destes planetas é muito, muito maior que o de
todos os planetas deste mundo material. Neste segmento
material há milhões e bilhões de
universos com trilhões de planetas e sóis,
estrelas e luas. Mas toda esta criação
material é apenas um fragmento da criação
total. A maior parte da criação está
no céu espiritual. Aquele que deseja fundir-se
na existência do Brahman Supremo é transferido
imediatamente ao Brahmajyoti do Senhor Supremo e deste
modo alcança o céu espiritual...”
Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
“Pela primeira vez na história da exploração
espacial, pesquisadores dos EUA descobriram a existência
de um sistema planetário semelhante ao Sistema
Solar... A descoberta... [pode] indicar também
que, no Universo, o número de sistemas planetários
múltiplos pode ser muito maior do que o estimado.
A estrela desse novo sistema é a Úpsilon
de Andrômeda... a cerca de 44 anos-luz da Terra...
os dois planetas mais distantes estão em uma
região habitável...” Folha de São
Paulo (16/04/99)
Estávamos em um dos planetas superiores localizados
numa das dimensões mais próximas ao nosso
Sistema Solar e reparei, surpreso, que nossos corpos
astrais tinham ali uma densidade semelhante aquela de
nossos corpos físicos na Terra. Tanaim me explicou
a razão.
— Este é o planeta Octor, meu querido filho,
um planeta de evolução superior. O que
na Terra seria para nós algo sutil e quase invisível,
aqui se torna concreto e tangível. Sua luz, sutileza
e harmonia são um anúncio do que será
a Terra nesse futuro alternativo do qual você
foi testemunha no nosso primeiro encontro...
Amanhecia naquele mundo e, durante alguns minutos, ficamos
olhando a peculiar paisagem octoriana e sua rara beleza.
O sol nascente descobria as cores daquela exótica
vegetação e o ar puro trazia até
nós seus suaves aromas. Impressões e sensações
desconhecidas penetravam minha alma e me sentia como
quando somos crianças e ficamos fascinados ante
cada nova revelação da existência.
— Por que estou aqui, Tanaim? — perguntei
como quem pensa alto.
— Você está aqui, em primeiro lugar,
para ser testemunha da extraordinária transformação
evolutiva que este planeta e seus habitantes viverão
em breve — respondeu meu guia e, após ficar
calado alguns instantes, acrescentou: — Em segundo
lugar, porque as revelações acerca da
origem do Eneagrama e do Código de Thot, assim
como as relacionadas com a nossa evolução,
lhe serão feitas por alguém deste mundo
que deseja conhecê-lo por uma razão exata.
Eu não entendia aquilo. Por que alguém
desse mundo ia querer me conhecer?
— Tenha calma, compreenderá tudo no seu
devido tempo.
Fez-me um sinal e agregou com suavidade:
— Agora, siga-me.
Minha curiosidade aumentava junto com a confusão
dos meus pensamentos.
10 - A Mente é Mais Veloz que a Luz
“Sedes perfeitos assim como o meu Pai nos céus
é perfeito”
N. S. Jesus Cristo.
Avançamos até uma colina da qual era possível
ter uma ampla visão da paisagem octoriana. Tanaim
fechou os olhos e levantando o braço esquerdo
fez um estranho movimento com a mão. Ficou imóvel
durante alguns minutos na mesma posição.
Imaginei que estivesse se contatando telepaticamente
com alguns habitantes daquele mundo. Não estava
equivocado. Após alguns instantes, duas espécies
de naves, extremamente luminosas e de formas ovóides,
apareceram como saídas do nada. Tanaim me explicaria
mais tarde que essa minha impressão delas terem
aparecido como do nada, era conseqüência
de uma extraordinária descoberta feita pelos
eco-cientistas octorianos: a mente era muito mais veloz
que a luz e produzia, como esta, uma energia extraordinária
e quase inesgotável que eles conseguiram canalizar
para diversas aplicações. Assim, a velocidade
inimaginável atingida por aquelas naves era apenas
um dos resultados tecnológicos dessa extraordinária
descoberta. Nelas pode-se viajar de um ponto a outro
desse planeta em apenas alguns segundos e também
a diferentes níveis dimensionais e espaços
- tempos diversos em apenas alguns dias ou minutos.
Cinco octorianos desceram, nos convidando a subir numa
delas e reparei, surpreso, que Tanaim era conhecido
e profundamente respeitado por eles. Os corpos daqueles
seres, ainda que semelhantes aos nossos, tinham diferenças
notáveis. Belos e com uma estatura média
de 2 metros, possuíam a simetria das esculturas
com as quais os gregos tentaram simbolizar a perfeição
de seus deuses. Chamou especialmente minha atenção
a peculiar formação craniana na qual se
destacava um maior desenvolvimento da zona frontal desconhecido
entre nós. Suas presenças irradiavam luz
e harmonia e seus olhares pareciam penetrar nossas almas
além das aparências. Após termos
sidos devidamente acomodados, a nave iniciou sua viagem
e, em apenas alguns segundos, chegamos ao nosso destino.
***
11 - Satlam
“Os Portões do Céu estão
abertos para ti;
As portas do Lugar Fresco estão abertas para
ti.
Tu encontrarás Ra parado ali, esperando por ti.
Ele tomará tua mão. Ele te levará
para o Duplo Santuário
do Céu;
Ele te colocará no trono de Osíris...
Tu ficarás em pé, amparado, equipado como
um deus...
Entre os Eternos, na Estrela Imorredoura.”
Fragmento do “Texto das Pirâmides”
Nunca esquecerei o impacto que provocou em mim aquela
gigantesca cidade flutuando a mais ou menos 1.200 metros
da superfície do planeta. Nela, milhares de octorianos
realizavam suas rotineiras e pacíficas atividades,
num clima harmonioso e feliz.
Sem dúvida, Satlam era uma das mais maravilhosas
megápoles-levitantes de Octor. Ao vê-la
pairando silenciosa acima de uma das preciosas florestas
- parques daquele mundo superior, compreendi que os
octorianos tinham alcançado não somente
grandes avanços científicos e tecnológicos,
mas principalmente, tinham conquistado a virtude de
conviver em completo equilíbrio com todas as
formas de vida.
Após descer numa das pistas aéreas disponíveis,
fomos conduzidos até um amplo salão octogonal
localizado num dos 9 Níveis Sinérgicos
do Décimo-Setor-Estrutural satlanense. Três
seres de nobre aparência receberam Tanaim com
alegria, o qual me apresentou como um “novo viajante
na Luz Uma”. Devo esclarecer que eu podia entender
e falar claramente o precioso idioma mantrico dos octorianos
em virtude de um microscópico tipo de “chip”
— aderido ao meu canal auditivo após a
chegada a Satlam —, o qual o decodificava e traduzia
instantaneamente na área da linguagem do meu
cérebro. Afastando-se alguns metros de mim, os
três seres e meu guia iniciaram uma longa conversa.
Percebi que Tanaim falava de mim, pois, a cada certo
tempo, ele e os octorianos olhavam na minha direção
com muita atenção. Ao concluir nossa “recepção”,
os três seres, desmaterializando-se, abandonaram
o local deixando-nos sozinhos. Eu estava como que hipnotizado.
Meu cérebro, em choque, tentava “aceitar”
uma realidade que não estava registrada na sua
limitada “programação” terrestre.
Sentindo-me tremendamente pequeno perante aquela manifestação
superior de existência, percebia a enorme distância
evolutiva que nos separava de toda aquela incrível
civilização. Sua grandiosidade provocava-me,
por instantes, um misto de medo e admiração
quase primitivos. Como descrever o que acontecia dentro
de mim diante daquelas maravilhas que nem sequer o melhor
dos nossos escritores de ficção científica
imaginaria existir?
Tudo tinha acontecido tão rapidamente. Conhecer
o meu guia, conhecer esse modo de viajar no astral,
através de “portais-dimensionais”
a uma velocidade maior que a da luz, sem usar nenhuma
nave espacial e estar naquele mundo superior era maravilhoso,
indefinível e inefável.
Tanaim esperou que passasse esse choque inicial com
sua habitual serenidade. Talvez como um efeito colateral
desse meu estado alterado de consciência, percebi,
de repente, que havia algo de familiar nele, algo que
não tinha reparado antes e que me fazia sentir
um misto de amor e segurança. O que era esta
nova impressão? Sua presença era tão
valiosa e necessária naqueles instantes, que
num impulso repentino o abracei com carinho e gratidão.
Já não havia mais dúvida em mim...
Tudo era real nesse novo estado além dos meus
longínquos e irreais sonhos! Então, ele
me disse:
— Como o esperava, tardou mais que outros eleitos
a sentir o impacto desta experiência, e isso,
somente graças à sua força interior
— retribuía meu abraço com fraternal
carinho. - Fique calmo... Tudo está bem agora.
— Afastou-me suavemente e acrescentou: —
Alguns sentem esse choque após o primeiro contato
e até demoram muito a voltar ao total equilíbrio
psico-astral. Você, pelo contrário, se
recuperou rapidamente. Calma — repetiu —
calma, você logo há de saber o “porquê”
de tudo o que está vivenciando aqui... Pronto
para mais experiências? — deslizava suas
mãos com suaves movimentos circulares através
de todos os meus chakras, revitalizando aos poucos meus
vórtices de energia astral. Assenti agradecido
e nos dirigimos até uma espécie de enorme
varanda giratória, de onde se podia contemplar,
em todo o seu esplendor, a beleza daquele mundo, assim
como algumas das vizinhas cidades-levitantes. Tanaim
me explicou que essas cidades eram construídas
tendo em conta o equilíbrio psicofísico
de seus habitantes, mediante a combinação
sábia de materiais e de uma diversidade de vibrações
positivas geradas pelas formas, cores e volumes dos
seus diversos ambientes e amplos espaços urbanos.
Tudo ali obedecia a exatas medidas áureas, conscientemente
aplicadas pelos eco-arquitetos e eco-engenheiros daquele
planeta.
Fora isso, Octor não estava dividido em países
e seus habitantes — que falavam um único
idioma — viviam em fraterna unidade, governados
por um grupo de sábios responsáveis pelo
bem comum do planeta e de todas suas formas de vida,
sem distinção. Mas não vou detalhar
todos os avanços que observei naquele mundo.
Seria impossível e inútil até pela
minha incapacidade conceitual e técnica para
tal. Em resumo, só posso dizer que eles tinham
conseguido tudo aquilo que para nós é
apenas uma utopia, talvez porque além dos seus
avançados conhecimentos e tecnologias, estavam
unidos. Tanaim me prometeu, em função
do meu interesse, que numa outra oportunidade me levaria
para conhecer outros dos avanços daquele mundo,
antes que acontecesse o que ele chamava de “o
translado total ao nível Quinto” de toda
aquela avançada civilização, solicitando-me
que não fosse tão curioso no momento.
***
12 - Novas Revelações
“Talvez estejamos aqui apenas para dizer casa,
ponte, poço, jarro, oliveira, janela –
no máximo, pilar, torre... mas dizê-las,
lembra-te, dizê-las de uma maneira que as próprias
coisas nunca sonharam que pudesse existir tão
intensamente” Rainer Maria Rilke
— Agora devo explicar-lhe um pouco mais a sua
missão como eleito — respirou fundo e após
um breve silêncio disse: — Sei que ainda
não ficou muito claro — continuou e me
fez um sinal para que sentássemos.
— No final, gostaria de compreender melhor como
é que apenas escrevendo sobre estas coisas, eu
virei a colaborar para que os tempos do fim sejam abreviados
na prática — perguntei sem poder disfarçar
meu ceticismo.
Tanaim percebia isto e esboçando um dos seus
belos sorrisos me respondeu:
— É simples. Veja. Cada um dos eleitos
é capaz de visualizar diferentes faces da realidade
superior segundo seu nível consciêncial
e conceitual. Conseqüentemente, cada uma dessas
diferentes faces é uma peça a mais do
complexo quebra-cabeça evolutivo da nossa espécie.
Seus relatos, por exemplo, provocarão certas
lembranças, intuições e sentimentos
elevados naqueles que estão preparados para completar
este quebra-cabeça. Digamos que você lhes
ajudará a lembrar o futuro, lembrando do passado!
Atos são produtos de sentimentos e quando você
acorde neles tais sentimentos, muitos começarão
a agir de uns modos novos, amorosos e especiais que
ajudará a promover essa união que virá
a abreviar os tempos do fim.
Tanaim olhou à sua volta e senti que o que estava
por acontecer naquele planeta o deixava especialmente
alerta e sensibilizado.
— Outros eleitos— continuou — conhecem
e descobrirão novas peças. Alguns já
estão canalizando essas novas descobertas. Todos
esses dados e informações - fragmentos
estão relacionados com o propósito de
abreviar os tempos do fim. Assim, o objetivo de evitar
o desvio para um momento-alternativo inadequado e destrutivo
para nossa espécie terá maiores possibilidades
de ser atingido. — Observei que seus olhos brilharam
cheios de esperança ao expressar estas palavras.
— Graças às suas revelações
e às que outros eleitos farão na sua época,
milhões de pessoas, ao redor de todo o mundo,
serão motivadas a transformar-se em seres cada
vez mais conscientes da Unidade de Todas as Coisas.
Assim, a compreensão profunda das razões
pelas quais nossa espécie fracassou no passado,
será relembrada. Então, meu filho, milhões
de indivíduos compreenderão que os fracassos
do passado foram produtos de um mesmo e grande erro:
o sentimento de separatividade, ou seja, a incapacidade
de ver as ligações existentes entre todos
os seres e todas as coisas. Somente então, novas
possibilidades evolutivas serão, de certa maneira,
pressentidas e intuídas por muitos na Terra,
surgindo assim novas formas de lidar com os desafios
emergentes da sua época. Visões cada vez
mais esclarecidas da realidade tal qual ela é
permitirão descobertas e soluções
inovadoras para os atuais problemas e crises enfrentadas
por sua civilização. Aos poucos, todas
as novas descobertas, dados e informações
se unificarão, complementando-se. Unidos pelo
ideal da Unidade de Todas as Coisas, vocês poderão,
finalmente, planejar e organizar as ações
que evitarão e neutralizarão todos os
desvios evolutivos possíveis. Porém não
será uma tarefa fácil. Todos deverão
estar preparados para enfrentar grandes obstáculos
e forças contrárias a essa sagrada missão.
Lembre que tudo o que estou lhe dizendo é apenas
uma possibilidade no conjunto dos futuros alternativos.
Afinal, nem todos, neste vasto Universo, estão
interessados em que nossa espécie progrida. Temos
que vencer grandes opositores, muitos deles velhos inimigos
ignorados pela humanidade e ansiosos de vingar-se daqueles
que, no passado, os derrotaram — concluiu e, intuindo
que eu queria saber mais acerca desse novo e inusitado
tema, me disse enigmático:
— Chega destas revelações por enquanto,
meu querido. Esse alguém, que habita neste mundo
e que deseja conhecê-lo, lhe mostrará este
e outros assuntos!
Enquanto nos dirigíamos a um outro nível
daquela bela cidade levitante, pensava por que Tanaim
tinha me dito que aquele misterioso alguém iria
me mostrar esses e outros assuntos. Não teria
sido mais correto dizer “lhe informará
sobre estas questões?” Detive o divagar
da minha mente quando contemplei fascinado o instante
em que, através de um portal dimensional de cor
amarela, que surgiu de improviso a alguns metros frente
a nós, um grupo de alegres octorianos voltava
de uma agradável viagem espacial.
13 - Os Mediators
“— Eu, por exemplo, que existo há
tantos anos no Universo, jamais pensei que, talvez,
tivesse existido um tempo no qual tudo o que vejo, tudo
o que possuo não existisse [...]. E agora, amado
avô, [...] tomei consciência disto na minha
presença inteira, e sinto a necessidade de compreender
a razão pela qual estes confortos, [...] me foram
dados [...] e a quais obrigações me compromete
isso [...]”
Belzebu, olhando-o com carinho, respondeu-lhe:
— “Te aconselho, meu querido Jassin, que
não te faças tais questionamentos. Tem
paciência. Quando for o momento certo [...] refletirás
ativamente e compreenderás o que deverás
fazer em troca. Ainda não estás obrigado,
na tua idade, a pagar pela tua existência.”
G.I. Gurdjieff
As palavras de Tanaim possuíam uma vibração
tão poderosa que tive certeza de que jamais as
esqueceria. Apesar de não conseguir compreender
tudo o que me revelavam, especialmente o relativo à
suposta conspiração invisível contra
nossa espécie, intuía que seria inútil
querer saber mais sobre isso naquele momento. Decidi,
esperar pelo encontro com esse anunciado alguém
e levantar apenas questões relacionadas com a
minha missão.
— Significa que fui eleito para agir como uma
espécie de canal?
— Sim. Aliás, cada ser humano que, como
você, ame seus semelhantes, tem hoje a mesma possibilidade
de se transformar num canal ativo do Bem que está
por vir — reparei que ele enfatizara as palavras
“possibilidade” e “canal ativo”.
— A estes seres humanos — continuou —,
nós chamamos Mediators. Assim, todo eleito é
um Mediator, ainda que alguns o sejam inconscientemente
ou apenas potencialmente por enquanto. Eles são
como pontes entre os planos superiores e inferiores,
entre os níveis de maior e menor consciência.
Seu número está aumentando, atualmente,
no seu “espaço-temporal alternativo...”
Sim, você é um Mediator. — respondeu
Tanaim fitando-me com uma expressão de absoluta
certeza.
— Foi sempre assim? Sempre existiram os Mediators?
— perguntei, ansioso por ouvir mais a respeito.
— Sim, sempre foi assim — respondeu olhando
para o infinito como se lembrasse de muitos casos especiais.
— Inspiramos e trabalhamos com alguns deles desde
nossa dimensão no futuro, há séculos.
— suspirou e em seguida acrescentou: — Existem
“Mediators” de diferentes graus e níveis.
Os mais importantes, ou seja, os dos Níveis Quinto
ao Sétimo são chamados por vocês
de “profetas” “iluminados”,
“visionários” e “gênios”.
Esses foram e são alguns dos nomes dados em todas
as épocas àqueles seres humanos aos quais,
em virtude dos Nove tipos de canalização
e inteligência superior que desenvolvem, lhes
é permitido ultrapassar diversos portais dimensionais
e experienciar novos momentos-alternativos. Alguns foram
reconhecidos entre vocês como grandes pensadores
e inovadores capazes de mudar paradigmas que até
antes das suas existências pareciam absolutos.
Muitos foram aceitos nas suas épocas e suas descobertas
têm sido benéficas para todos. Outros sofreram
porque foram incompreendidos por seus contemporâneos,
sendo tratados como se fossem malucos ou sonhadores,
iludidos por fantasias. Alguns foram até perseguidos,
torturados e mortos, sem nunca chegar a ver os resultados
positivos de suas descobertas e trabalhos. Ainda assim,
todos eles conseguiram semear na memória coletiva
da espécie os ‘dados’ necessários
para favorecer o contínuo progresso espiritual
e material da espécie humana. Às vezes,
alguns deles conseguiam “processar” esses
“dados” de maneiras insuspeitadas graças
ao alto desenvolvimento de suas capacidades emocionais,
mentais e intelectuais. Porém nem sempre suas
descobertas foram bem utilizadas. O conhecimento é
um poder neutro. Com ele acontece o mesmo que com o
que vocês chamam dinheiro. Seu bom ou mau uso
depende de quem o possui. Enfim, desde este ‘futuro-alternativo’
que é nosso “presente”, nós
estamos influindo sempre, consciente e deliberadamente,
para que todo o conhecimento necessário para
a evolução da nossa espécie não
se perca, para que vocês o possuam sempre ou voltem
a possuí-lo, resgatando-o do esquecimento quando
a ignorância e a separatividade toma conta dos
seus semelhantes.
Tínhamos chegado até um grande salão
luminoso e amplo, no qual algumas famílias e
casais octorianos conversavam animados sobre a futura
transformação daquele planeta. Respirava-se
uma atmosfera de plena harmonia. Após sentarmos
numas agradáveis poltronas de material desconhecido,
as quais se adaptavam automaticamente às nossas
medidas e movimentos, e olhando pelas amplas janelas
daquele local os belos arredores de Satlam, perguntei:
— Essa influência tem algo a ver com o plano
de abreviar os tempos do fim?
— Sim. — respondeu meu guia — Essa
nossa maneira de influir faz parte, também, do
plano para abreviar os tempos do fim que Jesus Cristo
e outros Enviados já conheciam, e que, como todos
Eles ensinaram, se fundamenta na Lei da Unidade de Todas
as Coisas, cujo único alicerce é o Eterno
Amor Universal.
Lembrei os ensinamentos secretos relativos à
milenar “transmissão” da chamada
“Ciência Objetiva” a partir do “Governo
Invisível do Mundo”, também conhecido
como o “Centro Consciente da Humanidade”,
que a conserva e que influi beneficamente na evolução
da nossa espécie. O quebra-cabeça se completava
aos poucos na minha mente.
— E acerca dos grandes inventos e tecnologias
do meu tempo presente e a velocidade com que novas descobertas
são realizadas, o que é que o senhor poderia
me ensinar? — perguntei curioso.
14 - A Memória Coletiva.
“Quanto mais se aproxime do seu Protótipo
no ‘Céu’, tanto melhor para o mortal
cuja personalidade foi eleita — por sua própria
Divindade pessoal (o Sétimo Princípio)
— para sua mansão terrestre. Porque, a
cada esforço de vontade no sentido da purificação
e da união com esse ‘Deus Próprio’,
um dos Raios inferiores se interrompe, e a entidade
espiritual do homem é atraída cada vez
mais para o alto, para o Raio que sucede ao primeiro,
até que de Raio em Raio, o Homem Interno é
absorvido no Raio Uno, o mais elevado do Sol-Pai”
H.P.Blavatsky
— Logo saberá que alguns desses inventos
e descobertas já existiram no “passado”
e que outros foram “inspirados” pelo “futuro”.
Direta ou indiretamente, e, através de certos
“Mediators”, a informação
chega a se transformar, em algum momento, num fato concreto,
sempre o mais adequado. No seu “tempo-espaço-alternativo”,
a velocidade de recepção da “informação”
contida na “memória da espécie”
passada e futura multiplicou-se. Por esta razão,
se redescobre e se reinventa o que foi conhecido em
épocas proto-históricas nos lendários
continentes desaparecidos e se “inventa”
o que se recebe desde nosso futuro. Sua época
vive um momento de especial intensidade evolutiva e
só a ignorância da “Lei de Unidade
de Todas as Coisas” impede, ainda, a superação
do que podem ser as causas do “desvio” desse
futuro que neste “momento alternativo”,
paradoxalmente, já existe.
Fiquei pensando nessa “memória coletiva”
e em todos os que tinham trabalhado em diversos aspectos
para que chegassem até nós os “dados”
e “informações” que promoviam
nosso avanço científico e espiritual.
Compreendi que tudo quanto sabemos e temos à
nossa disposição provém do amor,
trabalho e esforço de alguns poucos que deixaram
para nós uma herança preciosa de conhecimentos,
frutos da razão e da intuição...
seres do passado, do presente e do futuro trabalhando
para o progresso de todos os seres humanos sem distinção
de nenhuma espécie.
— Sim, querido filho, assim foi e assim será
sempre.
Novamente meu guia falava como se meus pensamentos fossem
palavras audíveis para ele. Começava a
me acostumar a essa sua “clariaudiência-telepática”.
Senti que ele queria me dizer outras coisas e esperei
em silêncio. Fez-me um gesto para segui-lo e nos
levantamos das nossas confortáveis “poltronas”
octorianas. Começamos a caminhar pelo agradável
terraço panorâmico daquele formidável
salão e após uns instantes Tanaim continuou:
— Esse fenômeno, cuja manifestação
chamamos “memória coletiva da espécie”,
implica muitas conseqüências lógicas.
A principal é que, em virtude da sua existência,
cada ser humano possuidor de determinada capacidade
consciêncial se torna automaticamente responsável
pela sua qualidade e continuidade. Por sua vez, a existência
dessa “memória coletiva” também
é devida à “Lei de Unidade de Todas
as Coisas”. Ou seja, é graças ao
Amor que a memória de todas as coisas existe,
e, justamente por esta causa, o conhecimento atingido
por seres conscientes jamais morre porque está
protegido pelo Amor. De alguma maneira, o conhecimento
está sempre presente nas camadas superiores da
nossa Consciência Coletiva. Em algumas épocas,
o retrocesso evolutivo resultante das condições
erradas de vida dos seres humanos provoca seu esquecimento;
em outras, mais apropriadas ao exercício das
faculdades emocionais e cerebrais superiores, o conhecimento
volta através da energia-mente, utilizando como
canais aqueles Mediators mais preparados que o revelarão
ou aplicarão novamente. Assim, se redescobre
o conhecimento acumulado durante séculos e se
somam a ele aqueles novos dados e descobertas que nunca
poderiam existir se não fosse o acúmulo
sinérgico de todas as experiências gravadas
na nossa milenar memória coletiva. Na verdade,
não existem inventos ou descobertas que possam
merecer esse nome, porque o conhecimento é fruto
de uma longa cadeia de experiências e aprendizados
refletidos e gravados, de acordo com a Lei do Carma,
na atividade sigilosa do ADN humano. Sim, O ADN é
o canal biofísico da nossa memória coletiva.
Naqueles que atingem certos níveis de amor e
consciência, essa memória se torna ativa,
graças à autolembrança e à
auto-observação, no momento certo, com
propósitos definidos e sempre benéficos
para todos. A partir desse ‘resgate-memorial’
e graças às leis da herança, nós,
humanos, conseguimos continuar nossos avanços
como espécie inteligente, do mesmo modo que a
combinação planejada e constante dos materiais
adequados e criados para sua construção,
permitem materializar os projetos de um arquiteto. Quando
esse conhecimento desaparece, como conseqüência
das guerras mais destrutivas ou das mega catástrofes
cíclicas, naturais ou provocadas pelos nossos
inimigos ‘invisíveis’, ou pelo mau
uso das descobertas e inventos, ou ainda, pela destruição
ignorante do equilíbrio natural ou pela combinação
terrível de todos estes fatores, nossa espécie
vive longos períodos de barbárie, ignorância
e obscurantismo, até que condições
gerais mais apropriadas permitem, novamente, o resgate
de tais conquistas preciosas. Essa tem sido nossa história,
meu filho, conhecida e desconhecida, com seus altos
e baixos evolutivos. Apesar de tudo e, paradoxalmente,
nunca temos deixado de progredir, porque, graças
à unidade e ao amor dos Mediators, sempre podemos
voltar a resgatar nossas conquistas e continuar subindo
pela difícil e cíclica espiral evolutiva
a partir do ponto no qual nos detemos.
O rosto de Tanaim tinha uma expressão de paz
enquanto dizia estas coisas. Logo, voltou a repetir:
— Nesse “momento-alternativo-presente”,
vocês devem corrigir urgentemente seus atuais
modos de agir e pensar em relação à
natureza; devem unir-se e reavaliar, criticamente, suas
‘metas’ e ‘objetivos’ para benefício
do Todo e de todos e não apenas de algumas minorias.
Vocês devem compreender que o sofrimento de muitos
retardará a realização de todos.
Tanaim se deteve e tive a certeza de que percebia melhor
o que era esperado de mim e de todos os eleitos... Era
algo assim como a “Teoria do Centésimo
macaco”, pois se conseguia compreender e processar
tudo o quanto me estava sendo revelado, muitos outros
seres humanos conseguiriam também. Era uma grande
oportunidade para pagar parte da minha dívida
com a existência.
Uma suave brisa me fez respirar profundamente. Senti
os deliciosos aromas que exalavam dos diversos tipos
de flores cultivadas naqueles exóticos jardins
públicos de Satlam.
Tanaim me fez um gesto para que o seguisse até
alguns metros de uma nave octoriana que, segundos antes,
tinha chegado aparentemente destinada a nos servir de
transporte. Não estava equivocado. Éramos
esperados por dois octorianos que nos fizeram um sinal
para abordá-la. Embora soubesse que naquele mundo
o meu corpo astral não sofreria, numa potencial
queda, como o meu corpo físico, não posso
negar que, por mecanicidade, tive um certo temor, ao
passar do deck para o interior daquela preciosa nave,
especialmente após observar, apreensivo, os mais
de mil metros de altura que nos separavam da superfície
daquele planeta.
Quando a nave iniciou seu vôo, senti que ia ao
encontro mais importante da minha vida. Conheceria,
por fim, aquele misterioso octoriano do qual Tanaim
falara de um modo tão especial e saberia por
que ele queria me conhecer.
Anoitecia em Octor.
15 - Anthor
“Ver o Mundo num grão de areia.
E o Céu numa flor silvestre.
Ter o infinito na palma da mão.
E a Eternidade numa hora”
William Blake
O sereno céu estrelado daquele setor do Cosmo
podia ser contemplado em todo seu esplendor, através
das amplas janelas curvas daquela abobadada espécie
de sala de estar octoriana. Enquanto esperávamos
nosso anfitrião, Tanaim me indicou certo “mecanismo
luminoso” nelas existente, o qual, mediante sua
manipulação, permitia a obtenção
de visões telescópicas das constelações
e estrelas que eu desejava ver em detalhes. Distraído
com essas visões celestes não percebi
quando o octoriano apareceu na sala.
— Tanaim, meu querido amigo! — exclamou
abraçando o meu guia. — Vejo que não
perde tempo na preparação do nosso eleito!
Sua aparência bela, serena e majestosa, chamou
imediatamente minha atenção.
— De jeito nenhum, sábio Anthor! Quando
seu convite chegou, decidi trazê-lo de imediato,
ainda que isso significasse para ele uma experiência,
inesperada e surpreendente, da qual ainda se recupera.
Anthor se aproximou e me abraçou em silêncio.
A vibração de familiar alegria que minha
presença lhe causara atiçou ainda mais
a minha curiosidade de saber por que ele queria me conhecer.
Após nos refrescarmos com uma deliciosa bebida,
a qual, diga-se de passagem, me provocou um estado misto
de alerta e relax muito especial, Anthor nos convido
para que nos sentássemos perto dele e comentou
detalhes “técnicos” da próxima
transformação daquele planeta. O respeito
e carinho com que ele e Tanaim se tratavam chamavam
poderosamente minha atenção. Como e quando
se teriam conhecido? Quais seriam as outras surpresas
das quais estava sendo poupado no momento? Não
tive tempo de perguntar, porque após alguns minutos,
Anthor nos levou até um salão circular,
em cujo centro se destacava uma brilhante esfera que
chamou poderosamente minha atenção. Percebi
que essa esfera devia servir a propósitos definidos,
já que, quando o octoriano dela se aproximou,
sua superfície se iluminou, seguramente ativada
pela sua presença. Não estava equivocado.
— Já era tempo de que ele participasse
das lembranças de quem conhece em detalhes a
história do Eneagrama, do Código de Thot
e do nosso mundo — comentou Tanaim, olhando em
volta com um gesto de aprovação, enquanto
sentava onde Anthor lhe indicava.
— Com sua ajuda será mais fácil.
— respondeu gentilmente o octoriano. — Por
acaso já revelou a ele a razão do meu
interesse em conhecê-lo pessoalmente? —
perguntou, observando-me detidamente. Tanaim negou com
um movimento de cabeça:
— Demasiadas surpresas num só dia talvez
não sejam convenientes, meu querido amigo! —
Ambos sorriram após esse provocante comentário
do meu guia.
Anthor mexeu num objeto, quase do tamanho de um botão,
que tinha sobre sua mão esquerda, o qual flutuando
no ar se encaixou perfeitamente numa imperceptível
abertura daquela esfera central, que começou
a vibrar silenciosamente. Esse pequeno objeto, soube
mais tarde, feito de diversas densidades de mente-luz,
era um “Canalizador”, espécie de
nexo entre ele e a esfera que não era outra coisa
senão um avançado “computador”
acionado mentalmente pelo seu evoluído usuário.
Quando a luminosa esfera iniciou aquele sutil processo
vibratório, ambos se olharam em silêncio.
Tanaim fez um gesto de afirmação. Tudo
estava pronto. Algo parecia penetrar minha mente. Lembro
que não opus resistência.
***
16 - O Cérebro não é a
Mente
“Tudo depende da memória. Não se
começa por aprender, mas pelo relembrar. A distância
entre a existência infinita e as diversidades
da vida nos fazem esquecer. Por esta razão, Deus
ordenou: Lembra!”
Hakki, Mestre sufi
A luz lilás provinda da aura de Anthor provocava
em mim um estado de alerta consciêncial elevadíssimo.
Estava sendo preparando para testemunhar e aprender
algo muito importante e intuía, que a partir
dessa experiência ficariam claros diversos e complexos
ensinamentos iniciáticos recebidos no passado.
De repente, comecei a relembrar o que tinha aprendido
com meu Mestre acerca do processo de aprendizado consciente:
— A compreensão é o resultado da
união do intelectual e do emocional. Esta é
a união “alquímica” que provoca
as transformações reais e totais. Até
não compreender, você não sabe.
Apenas acumulou mais dados no seu cérebro. O
processo de aprendizado consciente é a chave
dessa memória que não depende apenas do
cerebral.
Existem, portanto, dois modos de aprender. Um deles
é temporal, irreflexivo e adquirido mecânica
e inconscientemente. É o modo como se educa a
maioria. Os dados assim obtidos não têm
maiores conseqüências nas suas vidas. São
“mortos”. Porém o aprendizado consciente
é atemporal em seus efeitos e conseqüências.
Nele participa o verdadeiro Eu. Sendo assim, aprenda
sempre conscientemente. Reflita e processe os dados
obtidos através de seu intelecto até que
os sinta no seu coração. Faça isto
sempre e deliberadamente, porque sua mente não
é o cérebro, assim como o programador
não é o computador.
Assim você se lembrará sempre e em cada
existência e, algum dia, unir-se-á, à
Grande Memória Cósmica e terá todas
as lembranças que o Ser possui. Os cérebros
são bilhões e de todos os tipos, mas a
Energia-Mente é Uma.
Lembre-se disto: a Mente é Uma, os ‘terminais’
somos muitos!
***
O fluxo de meus pensamentos começou a ser interrompido
lentamente.
— Ouça. Até hoje só tinha
captado sua presença graças a Tanaim e
a um outro motivo que lhe revelarei oportunamente. —
Apesar de minha curiosidade por saber de imediato esse
outro motivo, Anthor fez um gesto e continuou dizendo:
— Nessas ocasiões sondei seu mundo interno
e soube, então, de seus esforços por atingir
níveis superiores de consciência. Sim,
sei mais de você do que você pode imaginar...
Está observando minhas mudanças exteriores?
Assenti maravilhado em poder apreciá-las tão
naturalmente. Anthor se tornava cada vez mais luminoso.
— Pois é, algum dia seus esforços
evolutivos também terão estes maravilhosos
resultados. Apenas persevere e jamais esqueça
seu sublime objetivo porque, desta maneira, você
e os demais eleitos realizarão o resgate da Lei
da Unidade de Todas as Coisas que está contida
no Eneagrama, e, então, transmutarão a
Terra. Sim, algum dia, graças à aplicação
consciente dessa Lei, seu mundo, igual ao nosso agora,
poderá atingir este Nível Superior de
existência do qual você é testemunha.
17 - Na Dimensão das Memórias
Cósmicas
“O homem é um olhar, o restante é
somente carne. Mas o verdadeiro olhar é aquele
que vê ao Amigo. Funde teu corpo inteiro no teu
olhar, olha em direção da visão,
olha em direção da visão, olha
em direção da visão”.
Rumi, Mestre Sufi.
A irradiação vinda do octoriano pulsava
ritmicamente. Ondas dessa energia entravam através
do meu plexo solar, provocando no meu peito uma agradável
sensação de calor e amor. Anthor continuou
dizendo:
— Saiba que o “Código de Thot”
e o Eneagrama, cujos fragmentos você e outros
Iniciados conhecem, fazem parte dessa Sagrada Lei cuja
origem conhecerá agora. Ser-lhe-á revelado
como é que ela foi ensinada em todos os planetas
habitados, quando chegou a Terra e por que foi esquecida.
Então, compreenderá por que são
tão urgentes seu resgate e reatualização.
Está pronto?
— Estou — respondi seguro.
— Vamos, então, penetrar na Dimensão
das Memórias Cósmicas – a voz de
Tanaim era suave e rítmica. — Relaxe, meu
filho, relaxe profundamente. Fique apenas entregue e
aberto para o que vai testemunhar.
O octoriano fechou uma vez mais os olhos e levantou
sua mão esquerda fazendo um rápido e singular
movimento com seus dedos. De repente, a esfera à
nossa frente começou a expandir-se. Parecia feita
de “cristal líquido” e nos envolvia
como se fosse água. Em apenas alguns segundos
estávamos “dentro” dela!
Uma voz disse:
— Bem-vindo à dimensão das Memórias
Cósmicas.
Obediente às ordens telepáticas do octoriano,
que manipulava sua energia com uma destreza extraordinária,
algo naquela esfera provocou uma espécie de abertura
astral na minha testa, e subitamente vi uma explosão
de luz e imagens surgir desde o seu centro. Observei,
atônito, que a esfera parecia não ter limites
e perdi a noção de espaço e tempo,
sentindo-me apenas como um ponto naquela imensidão
infinita.
Logo senti uma agradável vibração,
semelhante à produzida quando o sagrado mantra
OM é cantado pelos corais místicos, porém
sem interrupções, sem fim. Percebi um
feixe de luz dourada vindo das profundezas da Dimensão
das Memórias Cósmicas e, então,
eles disseram:
— Que nossas lembranças sejam vossas lembranças,
agora somos um...!
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